Porque não importa se tem vinte ou duzentas pessoas. Botequim é sempre botequim. Ontem, no Femusquim, a gente chegou, olhou e dali a alguns minutos, fomos convidadas a sentar na mesa ao lado – as cadeiras eram alugadas – . Mais heterogêneo aquele grupo não poderia ser: uma psicóloga paulista, uma socióloga, uma estudante de graduação e o Luiz que eu não sei o que faz da vida. Apesar de que a modernidade já é finda, que mania é essa de definir singularidade por profissão!

O Luiz é um negão super receptivo, que nasceu no Rio e mora na Serra e arrastou uma azinha para a Mari. A Miriam, uma loura de olhos azuis, com um gingado que só quem já abandonou Sampa pode ter. Eu e Mari, bom, eu e Mari, vocês já conhecem.

E quando a gente chegou estava vazio. Tocava um chorinho lindo. Volta e meia caía uma chuvinha fina. E eu sorvia uma cerveja quente. E não sei ao certo, o que esse conjunto de coisas causou em mim, já que não senti qualquer tristeza ou saudosismo esperado. Em pouco tempo, o troço encheu, tocou um samba arretado, o povo levantou da cadeira e alguns casais desfilavam a gafieira na pista de dança, o que nos dividiu entre a admiração e o desejo homicida. A gente não sabe dançar gafieira, a gente não tem com quem dançar gafieira. A gente tem inveja mortal da bela morena que estava dançando gafieira. Morte à gafieira!

Mas pelo menos sambar eu sei. Eu só nunca sei quando alguém está tirando foto ou está filmando. De forma que eu sempre fico no mínimo dois minutos, estática, bancando a sonsa, até compreender que não é bem isso.

 

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