Então, gatinha                                                                                     O que vai ser?
Você vai ficar
Ou você vai correr?
Vai se esgueirar pelas brechas
Vai andar pé ante pé
Na corda bamba
Sobre o precipício?
Vai se render ao suplício
Ou vai erguer a mão
Encher o pulmão
E gritar
“Help me, help me, lord!”?
Cê sabe, gatinha
Quando ela arrebenta
Você só se arrebenta
Porque não sabe pular

Então, gatinha
Não me diga – nem baixinho!
Que você vai vacilar
Vai arquear
Vai desesperar
Cadê a vara que enverga
Mas espada não corta?
Cadê, gatinha?
Bora lá!
Tem muitas facas pra você esmurrar…
Segura, gatinha
Não pode soltar
Tampouco surtar
Nem mesmo assustar
Cê já tá afeitada, gatinha
Ou não tá?

Então, gatinha
Você pediu uma mão
Eu apareci com mais de dez mil!
Pra te enforcar…
E você ainda reclama, gatinha
Sozinha
Tão sozinha
Pobrezinha
Qual o que há!
Eu nunca vou te deixar, gatinha
Pode contar
Nós somos amálgama, gatinha
Diamante bruto
Você não quebra
Não nulifica                                                                                         Pode – no máximo! – dilapidar

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