Eu queria poder simplesmente dormir. Até o fim dos tempos. Até o fim dessa chuva. Até que eu não me lembre mais quem eu sou ou quem eu era quando estávamos juntos. Até os escafandristas me descobrirem submersa debaixo da água derretida das calotas polares por causa do aquecimento global. Como em uma das nossas músicas. Você se lembra? Mas eu não posso dormir. Então eu escrevo meio textos, tomada de meia vontade, chego atrasada para tudo, fico constantemente meio perdida, esperando dar nove e meia, para que eu possa deitar e dormir o tanto que me é permitido. Acordo com muito menos do que meia disposição já que o dia não traz mais você de volta pra mim. Você se lembra? Quando cada dia era um nova esperança? De conversas escandalosas e toques furtivos. De beijos escondidos e declarações absolutas. Da presença que colocaria a Terra de volta em seus eixos. Da simples existência que dava a tudo um sentido. Você se lembra? Você se lembra de mim? Porque eu me transformei numa foto antiga e meio apagada. De alguém que foi muito mas não existe mais. E tudo o que você pode fazer agora é lembrar. Enquanto eu me parto em pedaços tentando esquecer… E dormir.

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