Depois daquele episódio lamentável, eu disse a ele: “É que eu estou me sentindo absolutamente sozinha hoje”.

Ele não me disse que eu não estava sozinha. “Eu estou do seu lado” e essas coisas que amigos/amantes dizem quando a gente se sente jogada no vento. Talvez por saber que realmente não estava.

Semanas depois ocorreu aquele terrível único episódio em que eu me permiti ligar para quem estivesse ao meu alcance e pedir socorro. Liguei para ele antes. Não atendeu. Estava ocupado, não viu o telefone tocar a tempo.

Estar ocupado era mesmo uma constante.

Se eu fosse a minha psicóloga, talvez eu me perguntaria: “E porque você tem tanto medo de perder de vez uma coisa que nunca esteve mesmo ali?”

“Porque o que resta para se perder é a esperança, a fantasia, os sonhos…” eu responderia. “Se eu perco o impalpável, visto que o concreto nunca houve, o que me resta? Meses num caminho que não levou a lugar nenhum?”

Lembro-me dessas porque faz alguns dias que eu venho me sentindo novamente absolutamente sozinha. Dessa vez não disse a ele, ou mesmo a outro alguém.

Amigos – distantes e próximos – há muitos, apenas não me ocorre incomodá-los com amarguras da minha metafísica.  No caminho para casa, imagino os mais catastróficos cenários: Tiros, doenças, atropelamentos, só para chegar na derradeira pergunta: “e se algo dessa magnitude realmente acontecesse hoje, pra quem eu pediria socorro?”

A resposta é sempre a mesma: Não há ninguém.

Há pessoas e há bom grado nelas, eu sei. O que me falta é apenas sentir-me adequada para pedir.

E, claro, falta-me coragem.

Que os muitos amigos não se sintam ofendidos: Não são vocês que faltam, sou eu.

Talvez tudo se explique por estes dias de expectativa antes que eu volte a frequentar uma sala de aula.

Foram tantos os dias em que havia uma certeza tão fúnebre de que isso nunca mais iria se realizar. E agora tão perto há um medo ainda maior de que não se conclua. Que as coisas se assoberbem. Ou que eu me apequene.

Há mesmo muito medo, eu acho. Ponto final.

P.S.: Noite sim, outra não, o menino pede companhia por não querer dormir sozinho no seu quarto medianamente escuro. Quando a gente passa para essa condição – de acudir meninos e afastar seus medos – a gente ainda pode pedir companhia e colo pra enfrentar a mediana escuridão aqui dentro?

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