Que me perdoem as rosas, porque a briga nem é com elas. Pelo contrário, são, das flores, as minha preferidas. Dos aromas, idem. O problema, como em muitos casos, é que jogaram peso demais na costas das coitadas. Alguém, algum dia, achou que um dose de rosa, uma vez por ano, é o suficiente para curar violência doméstica, violência sexual, disparidade salarial, falta de participação nas decisões políticas, falta de autonomia sobre o próprio corpo e vários problemas agregados. Se não resolve, essa pessoa deve ter pensado, vai certamente atenuar os sintomas e fazer todo mundo esquecer das doenças.

Mas a nós, feministas, não interessa esquecer. Então, com todo respeito às belas, coloridas e perfumadas rosas, saiam de cena, voltem para os seus jardins, escolham outra data: neste dia 8 de março, trocamos todas vocês por IGUALDADE. E, ledo engano, há que disse que ela já tinha chegado.

Disseram que agora toda mulher pode trabalhar, mas esqueceram de lembrar que nós ainda ganhamos menos para realizar a mesma função e, péra aí, tudo bem você trabalhar, mas que a casa esteja limpa e o jantar feito todas as noites, ok?. Disseram que a gente pode até se candidatar a presidente e ganhar, mas, por um lapso deve ter sido, não mencionaram que as candidatas seriam escrutinadas por seu passado sexual, a roupa escolhida para o aniversário do neto, a bolsa comprada em Nova York, a marca do batom e o telefone do suposto cirurgião plástico, tudo para avaliar suas capacidades políticas, obviamente. Disseram também que a gente agora nem precisa mais casar virgem e pode até, vejam só, fazer sexo com quem a gente bem entender. É claro que moças de família que somos, acharam melhor não comentar que, fazendo isso, entraríamos automaticamente na lista das fáceis, das “apenas para ficar” e se caso fôssemos bolinadas, assediadas, estupradas não poderíamos reclamar, afinal de contas não é sexo que a gente quer, ora bolas?

Não. A IGUALDADE ainda não existe e as lutas ainda são tão numerosas quanto as rosas, que a gente vê em qualquer quintal. Sorte que não somos poucas e gostamos muito de fazer barulho.

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