Eu quero tanto voltar a escrever de verdade, porque eu tenho pensado muita coisa. E sentido muito coisa. E os sentimentos estão assentando, eu acho, então eu acho que eu consigo falar deles sem amargar o blog inteiro. E aí todo dia eu vou dormir e penso: “Amanhã eu vou escrever o post sobre aquele assunto. E também vou terminar o texto que eu prometi entregar pra aquele cara há duas semanas. De amanhã não passa, eu prometo.” Mas aí eu acordo, cuido de Miguel e quando ele dorme de novo eu corro pro Facebook e fico todo o tempo que eu tenho na fuleragem. É como se escrever fosse o trabalho da firma. Aquele esquema né, “eu devia estar trabalhando, mas vou ficar só um pouquinho relaxando lendo bobeira.” E tem também aquelas vezes que eu tô capengando, então, Miguel dorme, eu durmo também. Além do tempo que eu preciso reservar, em algum dos sonos diurnos dele, pra limpar o quarto, lavar e passar as coisas dele, e coisa e tal. Dona de casa total, eu virei. Claro que, no fim das contas, eu faço muitas coisas durante o dia. Mas sou do tipo que não sabe lidar com o cotidiano. Faço um monte de coisa, me sinto fazendo nada, só vendo o tempo passar. Porque se não tem excepcionalidade, então parece que nada acontece.  Eu acho que fiquei viciada em drama depois de tantas tramas recombolescas. Mesmo assim, eu podia vir aqui e narrar meu dia só pelo exercício. Mas 1) Meu dia nunca é tão interessante 2) Eu não tenho talento algum pra fazer poesia sobre a tampa de panela 3) Ninguém iria ler, né? Mas amanhã sim eu venho e escrevo um post de verdade. De amanhã não passa, eu prometo.

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