Queridos homens, a gente sabe que vocês têm pênis. Não precisa ficar reafirmando a masculinidade 24h #ficadica, disse eu no Facebook. Mas eu tô tão fula da vida com um lance que acabou de acontecer aqui no trabalho que um updating não dá conta. Precisa de post.

O local onde eu trabalho é um conjunto de prédios, com algumas áreas de mata em volta. Mata, árvores, bichos, sacou? Pois é. Nem todo mundo que trabalha aqui saca que mata costuma ter bicho dentro dela. Bicho tipo cobras, morcegos, insetos, essas coisas, geralmente inofencivas capazes de sobreviver em pequenas áreas de mata suprimidas pela cidade ao redor. E daí que volta e meia um desses bichos sai dessas áreas e acaba parando dentro da Prefeitura. Normal né?

Logo quando eu comecei a trabalhar aqui, por exemplo, um filhote de coruja tava preso dentro de um tanque de peixes seco que tem em frente à minha sala. O bichinho lá com a pata machucada, debaixo de um sol rachando. (Faz imagem mental). E todo mundo passando “ah que bonitinho a corujinha que vai ficar aí até morrer de inanição. own”. Isso porque a Secretaria de Meio Ambiente é do lado, sabe, com biólogos e fiscais e gente que trabalha recolhendo bicho silvestre e levando para seus devidos lugares. E NINGUÉM pensou em acionar a Secretaria e salvar a bendita da coruja. Ninguém além de mim, of cource.

Hoje, entrou um cara correndo na sala, procurando alguma coisa que o possibilitasse matar uma cobra, que estava numa árvore, no estacionamento. Eu liguei correndo para a Secretaria de Meio Ambiente e, com a garantia de que alguém viria buscar o bicho, consegui evitar que o cara matasse a cobra.

Mas tive que ficar lá debaixo da árvore, porque um grupo de homens queria porque queria tirar a bendita da cobra da árvore e matar. Mesmo com uma profissional do Meio Ambiente dizendo que ela não oferecia perigo algum pra ninguém. Aí eu fiquei lá uns 20 minutos, de babá da cobra, com os caras falando que “se fosse eles, já tinham matado a cobra há muito tempo”. “Por que, se ela não é perigosa?”, perguntei eu. “Porque sim, porque tem que matar”, respondia a turba dos detentores de saco escrotal.

Deu um tempinho e o pessoal foi indo embora. Eu aproveitei pra voltar pro trabalho, porque afinal de contas ninguém me paga pra vigiar cobra. Mas foi só eu sair que a turba voltou, e matou o bicho. De graça. Porque a cobra tava lá na copa de uma árvore bem alta, não era venenosa e o profissional (que estava fazendo um serviço fora da Prefeitura) já estava a caminho para levá-la para um local adequado.

Vocês concordam comigo que não tinha razão alguma pra matar o bicho?Mas a turba tinha que provar que tinha bolas e matar, porque né, ter pena de bicho é coisa de mulher e ambientalista (leia-se viado). Homem que é homem não quer nem saber. Homem que é homem ainda faz graça das pessoas (eu) que acham errado matar animais sem motivo e homem que é homem gosta de dar detalhes de como a crueldade foi feita. Desse jeito, fica difícil ser heterossexual, viu.

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