Eu não sei se é o ascendente em escorpião, mas acontece de eu ter esse costume dolorido de me apegar a lembranças ínfimas, e fazer delas grandes coisas. Palavras, cheiros. Momentos. Que arrefeceriam incólumes com o tempo, como todo o resto. Mas não: eu retenho. Para deleite, muitas vezes. Para auto-tortura, outras tantas.

Eu não sei se é o sol em leão, mas acontece de eu ter essa coisa de achar que eu sou alguém especial no mundo e, portanto, que o universo conspira para me enviar sinais muito particulares. Hoje aconteceu de eu ligar o rádio, ouvir uma música e chorar. Eram seis da manhã e foi a primeira música que tocou. Obviamente, o locutor recebeu um sinal divino e tocou a música pra mim: é o que o meu sol em leão me faz pensar.

De cara, logo essa que eu nunca mais tinha ouvido, depois daquele dia, mais ou menos sete meses atrás. Logo essa que não significa nada, em um universo muito vasto de músicas que significam muito. Mas que agora vai ficar aqui retida pelo simples fato de que eu não consigo mais desvincular daquele momento, naquele dia, mais ou menos sete meses atrás. E sou incapaz de não fazer doer. E de não chorar.

É que eu não sei se é a lua em câncer, mas acontece de volta e meia eu ficar pensando porque tudo que passou parece tão melhor. E acontece de eu chorar de medo às vezes, de nunca mais existirem lembranças ínfimas para deleite da gente, porque a gente basicamente só tem construído de auto-tortura. De repente, você pode até me dizer e ajudar a me tirar dessa rota certa de colisão: how all this sadness has take place into my life?

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