(Esse texto era uma continuação do anterior, mas eu achei que merecia espaço próprio)

Em quarto lugar, para piorar eu agora tenho um problema pessoal com ele. Pelo fato de ele ter 40 anos e estar pegando uma adolescente de 16. E eu posso fazer uma lista de coisas que me desagradam numa relação desse tipo. Pra começo de conversa, eu não sei se encaixa criminalmente, mas pra mim isso é pedofilia. Não adianta, eu nunca vou aceitar a ideia de que alguém com 16 seja um adulto. Eu já tive 16 anos, e já estava na universidade com essa idade. E mesmo sendo extremamente precoce, eu não era adulta.

Meu problema não é o fato de meninas de 16 anos namorarem ou fazerem sexo. Meu problema é quando isso acontece entre elas e homens que têm mais que o dobro da idade delas. Que já foram casados, têm filhos, e já treparam com uma pá de pessoas. E o quanto eu acho saudável que as pessoas tenham iniciação sexual com esse caráter ai: de iniciação. Não de alguém impondo, a título de ensinamento, todo um repertório sexual próprio.

Em segundo lugar, é visível o quanto relações assim fragilizam ainda mais a mulher. Aquela coisa bem Educação (o filme). A menina estuda no ensino médio. Sequer faz faculdade, muito menos trabalha. E tá ali naquela vidinha adolescente normal. E então surge um homem. Que tem carro. E tem dinheiro. E leva ela pra jantar. E paga a conta. E leva no motel. E tudo com propriedade, porque ele sabe fazer, porque é adulto. E desloca ela pra essa vida adulta aí. Com 16 anos, veja bem.

Não é mais masturbação atrás do muro. Ou confusão pra colocar a camisinha. É sair pra ir no motel. E escolher a calcinha. Essas coisas que ela não precisaria fazer agora, mas que ela vai querer fazer porque são legais e adultas. E não tem como: ele vai orquestrar tudo. Porque ele conhece esse mundo adulto e ela não. Então, ELE vai mostrar TUDO pra ela. E ela vai passar a viver assim, vendo as coisas pelos olhos dele.

É a realização maldita da fábula do príncipe encantado: ele chega no seu cavalo branco e leva a princesa embora. Pro mundo DELE. Pro castelo DELE. Pra ser presenteada com milhares de jóias e flores que ELE escolheu.

E veja bem como não é mentira: quando eu expunha isso para o meu terapeuta, ele disse: “- Mas eu vivi uma história diferente. Quando eu casei com a minha primeira esposa, eu tinha 30, e ela 17. EU dei casa pra ela do jeito que ela queria. EU levei ela pra Paris duas vezes. EU insisti pra ele fazer uma faculdade e um curso de inglês. E um belo dia, ela me chutou, porque queria liberdade.” RÁRÁRÁ. Dá vontade de rir só de lembrar. Não sei se é porque ela jogou todo o “conforto” pro alto, pra poder ter vida própria \o/. Ou se é por ele achar que essa história contradiz o que eu penso. Quando reafirma fudidamente.

A minha outra implicância é que é claro, e o meu terapeuta mesmo admite, que homens que só se relacionam com mulheres muito mais novas estão atrás de controle. De garantias de que vão dominar a relação. Porque é mais fácil com meninas mais novas. Por essas coisas aí que eu já falei. Eu só não entendo como ele acha que isso justifica, quando só torna o panorama ainda mais horrível. “Eu quero alguém que eu possa subjugar. Eu sei disso e faço assim mesmo”, é como se ele dissesse. Não que eu também não queira, assim como todo control freak quer. Mas eu não tô namorando adolescentes só por conta disso. Porque eu sei que o problema é eu querer dominar alguém, e não existirem pessoas que não queiram ser dominadas.

Como perdoá-lo dessa vez?

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