Eu poderia replicar TODOS os posts da Mary W, né. Porque assim: wow! que ser humano iluminado você. Do tipo de gente que a gente agradece por ter nascido na mesma época que a gente. Que a gente sente orgulho de saber que existe no mundo. De uma blogueira, eu tô falando, pra você ver. E às vezes eu tenho medo de, por ler tanto e gostar tanto da Mary, ter começado a copiar o estilo dela. Essa coisa que escrever como se a gente estivesse falando. Com intersecções de pensamento, vícios de linguagem e pans. Mas daí eu lembro que um dia eu tive medo de ser esquizofrênica, porque eu não consigo pensar de outra forma que não seja diálogos, não consigo organizar nada se eu não tiver interlocutor. Às vezes eu verbalizo até enquanto eu penso, fazendo o papel de todos os interlocutores. O terapeuta disse que é “normal”. E eu acho que eu me salvo dessa pecha de copiona.

Anyway, tudo isso pra dizer que eu queria replicar um texto da Mary hoje. Porque tá chegando né. O grande dia. E eu estou em cólicas de não aguentar mais esperar pelo momento de colocar meu voto lá. Meu 13 vermelho-Dilma. Meu grande 13 Dilma-mulher. E eu acho estranho ver tanta gente que não tá na mesma vibe. Quer dizer: garotas, acordem! Até ontem a gente só tinha direito a ficar arrumando casa, e agora, depois de domingo, a gente vai ter presidentA. E uma PRESIDENTONA fodástica. Né possível que só eu esteja em cólicas. A gente tá entrando pra história. Somos todos contemporâneos do momento em que a primeira presidentA do Brasil vai ser eleita e boa parte de nós ainda vai poder dizer que deu o seu quinhão. E sobre isso que a Mary falou. Concentra no primor:

“A minha mãe não vota na Dilma. E ela veio me dizer agora de novo, depois do debate. Porque eu fico empolgada e tal. E ela quase que pergunta. Você sabe que eu não voto nela. E vai votar em quem, mãe? Indecisa. Daí eu não aguentei, né? E acabei falando pra votar na Marina. Porque, né? É espírito do tempo isso. É a eleição feminina. Dentre as coisas que mostram como o PSDB em SP tá demodé. Essa chapa tão masculina deles. Nem em mulher pra senadora tem jeito de votar. Um lance onde você estava quando a primeira mulher ganhou?. E você não vai lembrar? Tem que lembrar e tem que ter participado. Dizer que tinha uma outra mulher. Que era melhor que ela. E que você votou. E que era cabocla. E qualquer coisa assim. Porque senão capaz que você não se lembre. Vai lembrar que era um careca. E vai ter que perguntar pra alguém que estiver na roda. Em 2010 era o Serra ou Alckimin? Fiquei falando pra minha mãe. Que ela é toda descrente de política. E eu disse que ela nao gosta porque não participa. Sério. Pra mim votar no Serra, hoje, é não participar de toda essa tal festa da democracia. É puxar o freio de mão do bonde. Tem um amanhã. De meninas que cresceram, perguntando, pra confirmar. Vó/mãe/tia quem foi a primeira mulher presidente do Brasil? E você conta uma história qualquer. E você pode ter participado. E não ser a careta que tentou impedir. Foi a Dilma mas eu votei na Marina, você pode dizer. Foi a Dilma mas tinha um careca e eu escolhi ele. Não acho que alguém queira dizer isso daqui 50 anos. No longo prazo estaremos todos mortos. Ah, eu também acho. Embora considere a morte uma hipótese demasiado empírica etc. Mas eu não me conformo de alguém abdicar de fazer história. Onde você estava quando as sufragetes saíram às ruas? Passando o paletó do meu marido. Não pode. Que você tenha estado pelo menos na janela, espiando. A oposição vai perder essa eleição. Podia pelo menos espiar, eu acho. Uma mulher subiu a rampa e foi porque eu quis e tal. Eu sou tão implicada com os verdes. Acho que você sabe. Acho o discurso deles tão vazio. Mas pelo menos refresca, né? Essa chapa paulista do PSDB é tão pesada. Sooooo last century. Não me conformo com esse voto da minha mãe. Ela não é de pegar bonde, mas costumava saber quando um tá passando. Virar o voto dela pra Marina é minha meta. Já virei o Tuma pro Ricardo Young. Eu ensino as pessoas a votar. Qualquer que seja a orientação ideológica delas.”

Lindo né?

Obs: Eu tenho algumas categorias pra classificar certas coisas. Tipo, as pessoas que sou fã. Tem um bocado de gente que eu sou fã de e tem um grupo que eu sou tão fã que eu queria dar um abraço. Sabe, encontrar na rua e falar: “- amo tanto o que você faz. Posso te dar um abraço?” Fazem parte desse grupo hoje: Lula, Dilma, Bono Vox, John Cameron Mitchel e, na categoria blogs, Lola Aronovitch e Mary W. É sério isso. Se um dia eu puder dar um abraço em cada de vocês, SUAS LINDAS E SEUS LINDOS, putz, eu morro feliz!

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