Eu posso, inclusive, dizer que nem conheço o Rio. Continuo sendo alguém que mora no estado ao lado e não conhece “a” cidade do Brasil. Shame on me. Conheci mesmo, mesmo, só a casa de O Pontinho (a que ele nem mora mais lá), a ex-rua de O Pontinho (—- ele não mora mais lá), e qualquer coisa de Copa. Ah sim, conheci os ônibus e o metrô (dei voltas e voltas completamente sozinha e quase sem pedir referência. Iupi!) – Adooooooooro transporte coletivo, de pensar mesmo em nunca ter carro. O que fode é a boemia né, como voltar pra casa 4 horas da manhã, quando é longe pra táxi. Anyway. – Lembranças doces de eu e O Pontinho indo pra UFRJ de ônibus, tipo gente comum, conversando sobre a vida, como se fosse um dia qualquer. Pra você ver, a lembrança mais doce é a que mais se aproxima da banalidade. A que mais não precisava de ser no Rio pra existir. Rá.

E teve o dia da gente andando em grupo de Copa até Ipanema, na madrugadinha. Gosto muito de andar nas ruas, como se fosse nativa, e ainda mais quando no segundo ou no terceiro dia você já sabe em que rua tá andando, em que esquina precisa virar pra ir pra tal lugar. Fico super me achando com isso, mas aconteceu só um pouquinho no Rio. – Já em Brasília, Campinas e Natal, fizemos muito, atrás de festa e supermercados. A coisa mais anti-turista do mundo: restaurante que nada, vamo ali no supermercado comprar um miojo, um tang e um pack de latinhas e beber no quarto. Na verdade, a gente fazia pela falta de grana, mas o que importa a realidade? A gente curtia. E ficamos uma semana em cada lugar também, né. Saí de lá conhecendo a UNB como a palma da minha mão. Natal, então? Posso ser guia turística e pans. Porra, Campinas nem te conto. A gente só saía sozinho. Já pegava ônibus pelo número e ía pra ‘balada’ a pé na moral. O máximo. –

Mas voltando ao Rio: Cristo Redentor a gente passa né. Desde o começo eu disse que tava indo pra cumprir protocolo. Fui, tirei foto (abrir os braços não né, pelamor). “Gemza, que bonito esse lugarzzzzzz.” Beleza demais me cansa. Já com a Lapa, eu tava salivando né. Travestis pra todo lado, sambistas com chapéu Panamá. Cheiro de urina e cigarro e cerveja velha. Paralelepípedos. Nossa, encho a boca só de pensar. Nem deve ser assim, mas é no meu sonho. Well, no fim das contas, Lapa, nem me lembro muito. Sei que a gente foi de van (adooooro). Andou um pouquinho e tinha uns bares no caminho, daí entramos numa boate incrível – Scenarium qualquer coisa – com Farofa Carioca tocando e gente de havaianas super sabendo a letra das músicas. Ah vá, é ainda MAIS CLICHÊ que a minha fantasia Madame Satã nos anos trinta. Não tô dizendo que foi ruim não. Pelo contrário, foi über. Bebi uns 80 contos (Campari, Caipirinha de morango, shot de cachaça pra finalizar), dancei até ter que tirar os sapatos, esqueci minha câmera mas tirei umas fotos inexpressivas na câmera dos outros – que eu roubei no orkut, pra constar no meu – fizemos juras, eu e O Pontinho, de um dia ver um show da Dublin juntos no Teacher’s Pub – rá! – e nada mais me lembro. NADA-MAIS-ME-LEMBRO (#leilalopes descanse em paz). E isso é o que define né: não faço ideia de como é a Lapa. Vaga lembrança dos tais arcos. Não vi nenhum travesti. JURO. Só o que sei é como é a boate por dentro. E precisamos de alguns padrões nessa vida, minha gente: ser muito boa, não faz com que ela seja mais do que uma boate, vejam bem.

Teve praia e barzinho também, o que não conta. Porque é o mesmo mandamento da boate. Pode ser IN-CRÍ-VEL, mas não deixa de ser praia. Pelo menos nos meus valores muito rígidos, praia, boate, shopping, barzinho nunca vai se transformar em experiência transcendental. Bar ainda tem vantagem: a experiência transcendental tem tendência a se criar. Mas me arrisco a dizer que pouco importa o bar, quando se tem um devir de experiência transcendental: qualquer um serve. Substrato físico, eu diria. Com exceções obviamente. Se por um acaso se trata do bar que você vai todo-santo- dia, por exemplo, porque aí a experiência transcendental cria raiz né. Tipo nossa Rua da Lama, bate!. Ou sei lá, quando é o bar que Noel Rosa ia todo-santo-dia e onde compôs As rosas não falam, porque aí a experiência transcendental foi tanta que contaminou o substrato né. Tirando isso, #tudoamermacoisa. Bleh. Mas só se aplica a bares também. Vai dizer o quê? Da praia que Luana Piovani curte toda santa manhã? E nem me venha com o banco em que Drummond sentava a bunda pra olhar pro mar de Copa, porque ai meu querido, é o banco né, estúpido.
Opa! Divaguei.

Mas daí que eu tô fazendo esse balanço, porque agora em novembro eu devo voltar ao Rio com tchan tchan tchan tchan S Pontinho. Yes! E, agora eu tenho referência do eu quero fazer e não fiz. Tipo museu: preciso ir em um pelo menos né. Tipo, Centro do Rio. Dei uma passada breve, mas preciso respirar um pouco esse ar dessa vez, né. E tipo, se preparem, BURACO DA LACRAIA. Huahuahuauah. Risada maquiavélica. Eu vou, você não vai. Só pra sentir o clima, fui ver as fotos do site. Tem uma do Marco Nanini tra-va-do de bêbado. (bapho: é do babado. O Lineu, menina, já pensou?) Noutra tem a Rosana pós-plástica cantando. E também tem Rita fucking Cadilac. E aí? Já desmaiou? Ah, tem uma ótema também da Gretchen há duzentos anos e vocês não tem ideia do estado da parede ao fundo. Espero que não tenham reformado. Trashzão. E pára tudo, a cereja do bolo: você vai em “Agenda” e topa com o seguinte: Sexta Garçons Nus. TÁ BOA? Eu vou, você não vai. Lálálálálá.

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