É mais ou menos assim: tudo está condicionado ao nosso cérebro, certo? Você percebe o mundo pelos sentidos, mas se determinada parte do seu cérebro não funcionar, você pode ter olhos perfeitos e mesmo assim não vai enxergar perfeitamente. Pode tanto enxergar menos, quanto mais. Pode ser cego e pode ter alucinações absurdamente realistas. Todo mundo concorda até aqui? Agora a pergunta: o que te garante que o mundo ao seu redor é real? O que te garante que todas as coisas que você vê, que você toca, que todas as pessoas que você conhece não são pura e simplesmente uma invenção da sua mente doentia?

Pois é, o problema maior da minha vida hoje é que eu não tenho certeza nenhuma de que a minha própria vida existe. NENHUMA. E olha que eu tô pensando nisso há um bocado de tempo e o final da história é sempre o mesmo: eu tenho que correr  atras de alguma coisa que me distraia senão eu fico pensando nisso sem parar, o que me dá uma agonia crescente.

Na verdade, acho que o problema maior da minha vida é que eu sempre tenho esse tipo de pensamento. Esse tipo aí que a gente pensa, pensa, não conclui porra nenhuma e não consegue parar de pensar.

Há uns anos eu tinha problemas com as noções de “nada” e de “infinito”. Porque né? Não dá pra imaginar o nada, nem o infinito. E cara, que angustia do capeta que me dava tentar imaginar a aparência física do nada ou o tamanho do infinito. E mesmo me esforçando, eu não conseguiua parar de tentar imaginar. O horror. O horror.

E daí que hoje eu tava sendo consultada por S Pontinho, que agora faz mestrado em psicologia social e ta vindo cheio de conceitos. A gente tava falando sobre o meu texto anterior e ele me disse que O Pontinho tinha razão de ter ficado assustado, porque eu tô completamente obssesiva nesse texto. E como sempre, eu preciso dar o braço a torcer: escorre obsessão por todos os poros do meu texto anterior. Alguém aí também notou?

O engraçado é que parece, mas não é obsessão por O Pontinho, é a minha velha obsessão por pensamentos. Essa aí que eu tava falando no começo do post.

Diagnóstico: Transtorno obssessivo. Objetos: compras, comida, padrões e agora, pensamentos.

Eu coloquei na cabeça que alguma coisa estranha estava acontecendo entre a gente e pronto. Escarafunchei, escarafunchei, até que brotou tudo: a minha conclusão sobre o que era essa coisa estranha, a minha hipótese pro surgimento dela, o contexto histórico dessa aparição, a trajetória anterior a ela e o meu sentimento a respeito de tudo.

Porque a minha obsessão por pensamentos vira uma combinação explosiva quando junta com a minha outra: a obsessão pelo sentido das coisas. Porque eu não sei se alguém já notou, mas, pra mim, nenhum acontecimento é um mero acontecimento. Tudo tem um sentido. Ou vários: sempre um mais íntimo do que o outro. E eu não sossego, enquanto não descubro (ou acho que descubro) todos.

Sem contar aquela coisa toda do drama. Chica Almodóvar que se preze tem que curtir um drama. Como assim a gente vai terminar tudo morno, com as coisas esvaindo-se? Comigo não, violão. Vem aqui que eu crio uma situação. Depois que você chorar/se assustar/gritar/querer me matar/passar a me amar eu deixo você ir. Afinal de contas, se você entrou na minha vida, a ponto de ser lembrado em uma futura biografia, ah baby, tudo, absolutamente tudo entre nós precisa ser único e especial.

Na verdade, na verdade, acho que eu sou obssessiva por “tem que render história”. Se originalmente o troço não vale nem um post de blog, não aceito, não aceito, não aceito. Eu torço e retorço, mas dou um jeito de fazer valer.

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