Eu passei a noite de sábado em claro por um motivo muito plausível. Fiquei me perguntando atônita o que eu estava fazendo naquele lugar, onde esperei semanas pra estar. 

Porque eu peguei a estrada jurando para os outros que estava indo porque eu sempre cumpro com os meus compromissos e como eu disse meses atrás que eu ia, então eu tinha que ir e coisa e tal. Mas a verdade mais verdadeira é que eu vim pé ante pé perseguindo uma justificativa pra essa coisa louca toda. Pra poder olhar para o panorama todo no futuro e dizer pra mim mesma: “viu? fazia sentido!”

E fez sentido: na reciprocidade do desejo, na reciprocidade do sofrimento. Mas eu ainda fiquei aqui partida em pedaços, porque todo mundo sabe que certas lutas são apenas para os livros latinos: Irene e Francisco fugindo da ditadura. Já eu contra o aparato? Será?

Porque os aparatos são fortes, vocês sabem. São grandes pilares e pequeninas fibras, que moldam a galera toda. E todo mundo tem o seu aparato de estimação e é difícil at mesmo reconhecer. E eu não sei se tenho forças pra lutar contra o aparato. Não sei se quero, sequer se tenho direito. Aliás, quem foi que inventou que o “amor” tem o direito de lutar contra tudo? Que ele é fim em si próprio? Hein? Hein?

E tudo isso porque a gente tem mania de inventar nomes pra definir o que a gente é. Daí fica esse bolo todo na minha cabeça agora…

Obs: A galera por aí arruma “namorado” em festa e barzinho. Daí fica fazendo joguinho clássico de “ligo / não ligo”, vai no cinema e come uma pizza. Trepa no terceiro encontro. Depois de três semanas tá indo nas festas juntos. Namorados. Eu não. Eu gosto de ter história que o povo fala “Ohhhhhh” no final. Daí, você já viu né? Tinha que embolar tudo mesmo…

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