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Vi a notícia no site da BBC Brasil. As Secretarias de Educação e de Juventude de Extremadura na Espanha elaboraram uma cartilha para adolescentes de 14 a 17 anos, que, entre outras coisas, desfaz mitos sobre as masturbação. Ensina para os jovens a se proteger durante as relações sexuais, como se posicionar diante das questões de gênero, a cultivar a auto-estima e o afeto pelo próprio corpo e outras coisas super legais, que incluem jogar luz sobre o fato de que masturbar-se não é só normal, como saudável.  A cartilha se chama O prazer está em suas mãos. E causou um bafafá daqueles, claro. E ululantemente, todo mundo ficou falando da masturbação e nem percebeu o resto…

E daí um mãe disse: “Não me preocupa que meus filhos se masturbem. Me preocupa é que um adulto, cujos hábitos e valores morais eu desconheço, seja quem ensine os meus filhos a fazê-lo.” O que nos leva a uma questão deveras complicada: qual o papel da escola? Os professores têm o direito ou a obrigação de orientar sexualmente os alunos?

Não vou me posicionar em linha gerais, mas acredito que seja óbvio para todo mundo que a questão da sexualidade adolescente deixou de ser assunto privado há muito tempo. Tem uma questão de saúde pública aí! De gravidez precoce. De DST’s. Coisas que acontecem por desconhecimento e, principalmente, por falta de conciência. Que precisa ser tratada no âmbito público também. É aquela história de jovem que não sabe que sexo anal também é sexo e também passa doença. Ou de quem nunca acredita que vai acontecer consigo próprio e se descuida. E nem sempre os pais dão conta de orientar.

Mas isso é uma tecla tão batida que só quem é muito obtuso pra não concordar. Educação sexual já é uma realidade nas escolas brasileiras, inclusive, mas tem uma novidade muito plausível nesse curso espanhol: o afeto. A aceitação de que o afeto é importante nessa discussão. Mostrar que sexo é uma troca de carinho, não apenas de gametas e vírus. Até porque acredito que fica mais fácil ensinar aos adolescentes a terem cuidado com a própria saúde, quando eles vêem o bocado de coisas gostosas que o corpo pode proporcionar, especialmente estando saudável.

Sem contar que quando você tira a coisa do ângulo reprodução / penetração, você também facilita a compreensão de gênero e de comportamento sexual. Afinal de contas não é essa a justificativa religiosa para a homossexualidade ser um pecado? Não é essa cultura que faz muita gente pensar que a mulher que busca o sexo não tem moral? Além do quê sexo é uma parte importante demais da vida adulta para ser menosprezado em qualquer discussão e quanto mais esclarecedora a abordagem for durante a adolescência, melhor…

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