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Eu fiquei sabendo da famigerada enquete do portal do Senado em algum blog, não sei onde. Pergunta assim: Você é a favor da criminalização da homofobia? As respostas – claro – : sim ou não. Foi o suficiente. Para ambos os respondedores. A galera saiu pedindo voto e criando comunidade e argumento, como se fosse decidir a lei por aí. Ensinou-se formas de burlar o sistema que impede que um computador vote mais de vez e ficou-se dando placar no twitter, no orkut, no diabo à quatro. Uma mob-loucurinha. E daí eu divido por tópicos:

Um: É bom quando alguma coisa por mais idiota que seja prova que não há esvaziamento político. O povo anseia por se manifestar, e às vezes isso ajuda os movimentos e às vezes não. Não queiram controlar tudo também! Mas eu entendo que a ignorância é porque muita gente ainda acha que parada gay e tweet não é política. A mesma gente que só pensa macro ou diminui tudo pra tentar esvaziar a forceps. Porque o povo pode não acreditar em candidato, pode não querer ver congresso pintado de ouro, mas se os tweets com #honduras e #uniban, multitudinais, monstruosos, não são movimentos políticos, sorry, não sei o que é. E vai ter sempre quem diga que “não adianta ficar falando na internet porque quem vota lei é deputado”. Mas deputado não é ser de outro mundo gente, acorda! Deputado é ser humano imerso em cultura também. Tem os movimentos de frente, que vão ao front e tem a galera do background que só discute, mas  fortalece a questão. E tenta ir mudando no dia-a-dia sabe? Explicando pro sobrinho que ser gay não é estranho nem defeito. Se negando a ficar calada porque nasceu com vagina e não com pênis. Um sem o outro não funciona!

Dois: Mas aí a gente começa a questionar se a enquete não está fazendo um desfavor (eu não gosto dessa palavra. Não gosto desse conceito. Não sei se isso existe. Mas, ok, vamos lá). Porque apesar de mostrar o quanto todo mundo quer se posicionar, quem vota, bem intencionado, lutando pela igualdade de gênero, acaba legitimando uma quantificação que desfavorece o próprio movimento pela igualdade.  Por que LGBT não é chamado de minoria à toa. E a enquete só deve quantificar isso aí: a maioria vai votar “Não”. E a Mary W defendeu bem enfática, que a legitimação nessa luta é de outra natureza. E eu concordo, pero no mucho. Porque a legitimação popular vai ser clamada em algum momento dessa luta. Não dá pra excluir o povo da decisão, porque senão o povo exclui a decisão do seu comportamento. E, concientes disso ou não, é esse tipo de formiguinha do “vote-na-enquete” que engrossa a mobilização.

Pê Ésse: A campanha pelo “Não” tá bombando. Legitimando a pena que eu sinto da maioria dos evangélicos, que não entendem mesmo nada do mundo… Os argumentos são para rir e chorar ao mesmo tempo.

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