blogcampes2009Daí que semana passada teve o BlogcampES aqui na UFES. Eu me inscrevi em tudo, mas acabei só aparecendo no lançamento do documentário Mundinhos, e na mesa sobre blogosfera LGBT e Feminina, com o Dé do Babado Certo e a Juliana do Cutclub. E eu estou nessa onda de entender os limites do meu feminismo, a direção do meu feminismo, qualé do meu feminismo, afinal. E, aproveitando que tinha um blog de dicas de beleza no meio, eu resolvi começar levantando a bola da futilidade. Aquela discussão que eu acho meio gasta sabe, de que beleza é futilidade, de que é preciso romper com qualquer padrão opressor mimimi.

Porque na discussão com a Ju eu acho que firmei posição quanto a isso (aleluia, oh my Godric!). Porque eu defendo que a gente tem que saber e querer saber o porquê das coisas. Sabiam que elas não caem de paraquedas no nosso colo? Não é da natureza humana que as mulheres se pintem, e se preocupem mais com a velhice e sintam necessidade de estarem impecáveis quando fora do ambiente doméstico (às vezes dentro também…). E isso não coemçou assim do nada. É uma cobrança, porque vocês sabem que mulheres servem de enfeite e que sua única preocupação na vida deve ser estar qual e tal a ponto de arranjar um bom marido. E que é quase um sacrilégio não cumprir com isso. “Como assim você não usa maquiagem?” “Como assim você não quer casar?” “Como assim você não quer ser mãe?”.

É claro que eu não excluo da feitura pelo menos da primeira pergunta. É que, considerando-se as óbvias cobrançasist2_5013258-ceremonial-make-up sociais das quais não me excluo, sinto prazer quase orgásmico em me maquiar para sair. É o meu ritual particular. Que ninguém opina, ninguém interfere. Eu e minhas cores, sozinhas no limbo. Lindo. E confesso que no susto eu não entendo como existem pessoas que não curtem esse prazer. Mas eu posso transpor isso para o meu prazer de beber. O meu prazer de ver Friends. O meu prazer de comer chocolate. Narciso acha feio o que não é espelho. A questão para mim não é uma mulher que não se maqueia, e sim uma pessoa que não gosta de algo que para mim é tão prezeiroso. Estranho, estranho.Mas tem gente que não se pergunta isso. Porque a gente acha tão natural assim mulheres maquiadas? Porque a gente se sente tão obrigada em seguir esse padrão. E todos os outros: ser magra, bem vestida, elegante, comportada.

Mas daí tem gente mais xiita que acha que a solução é todo mundo ganhar uns quilos, parar de usar qualquer coisa escolhida pela beleza estética e daí por diante. E eu discordo veementemente. Porque tem gente que gosta disso tudo. Por opressão ou por prazer mesmo (se é que isso é possível). Tem gente que curte faere exercícios físicos. Tem gente que curte comer salada. Tem gente que acha gostoso andar de salto todo dia. E daí a gente vai reproduzir a violência e apontar o dedo e dizer que esse povo todo faz deserviço ao feminismo? Por que não sei se eu sou romântica mas acho que dá para subverter por dentro nesse caso. Acho que eu posso fazer um blog, como a Ju, para mostrar que nem só cabelos cacheados “domados” são legais. Que pintar o olho de verde com laranja é tão bonito quando o delineador preto impecável. Que a bota confortável combina com vestido. E que há outros padrões. E daí você pode dizer que eu não deixo de estar em um padrão. E daí eu pergunto: e tem como não estar em um pelo menos? Tem o padrão da beleza. Tem o padrão do sucesso. Tem o padrão do bem-estar. Tem o padrão do politicamente correto. E agora em alguns círculos, acho que está surgindo um padrão do politicamente incorreto. Tem como ser social e não estar em nenhum? Um eremita, talvez. Mas acho que tem como estar mais confrotável dentro dele. Acho que há caminhos.

1 femin feminazisMas eu ainda não era feminázi nesse ponto. Eu virei feminázi quando dei o exemplo do Lingerie Day. Porque quando eu falei “Lingerie Day” o menino lá do fundo que eu carinhosamente apelidei de “machista reacionário” já adiantou que iria defender o tal movimento com unhas e dentes. E eu tentei explicar meio mambembe porque não concordava com a iniciativa. E já teve gente que explicou melhor esse ponto de vista, aqui e aqui. E ele falou que o problema todo foi que “essas feministas” foram no blog do cara que inventou o Lingerie Day e xingaram ele de tudo quanto é coisa. E eu disse como se já não fosse óbvio, que não se toma o todo por alguns indivíduos, e que teve feminista muito educada que ouviu de novo aquela ladainha de “você é gorda, feia, mal comida e só tá criticando porque não tem uns peitões bonitos pra mostrar” só porque resolveu discordar da iniciativa cada uma em seu próprio blog. E daí uma mulher me vira e diz: “-Mas é verdade! Quem criticou o movimento é porque não se dá bem com o próprio corpo!” Qqqqqqq? Só de lembrar eu tenho ojeriza. E eu só fui capaz de perguntar se ela, uma mulher, também estava reduzindo todo o movimento feminista a um bando de mulher feia, gorda e mau-humorada que por não conseguir um homem pra trepar resolveu atazanar a vida de todo mundo.

E foi a partir daí que eu virei a feminázi da sala. Porque eu tava lá qurendo relativizar e teve gente que começou com4950503 aquela de que estereótipos existem de todos os tipos, e daí as pessoas magras podem ser chamadas de magrelas, as loiras de burras, mas não se pode falar nada com a palavra “negro” no meio que o povo mete a pau. E a feminázi aqui teve que lembrar, porque, oh, parece que ninguem lembra, mas negros já foram escravos no Brasil vocês sabiam? Negros apanham nas ruas até hoje só por serem negros (e gays e mulheres e por aí vai). E as loiras, bom as loiras acho que não né. Porque parece que o povo tem perguiça de relativizar. E eu tava ali querendo relativizar. Porque se não o povo acha que só porque mariquês tá fazendo sucesso em tudo que é blog, que todo mundo vai querer e achar lindo um gay na família.  Só porque a Dilma pode vir por aí, o negócio tá dominado. E não tá… O dia que eu puder ir a uma festa e nenhum homem se achar no direito de meter a mão na minha bunda porque gostou do material, vocês me avisem, que aí eu posso começar a acreditar que não se precisa mais de movimento. Ou como diria meu amigo machista reacionário, que feminismo é tão idiota quanto machismo (deu vontade de gritar bingo nessa hora).

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