A questão é que eu só estou escrevendo esse post porque eu não consigo dormir. E eu não consigo dormir, porque de repente me veio uma avalanche de pensamentos sobre o Pedro. Porque o Pedro permeia minha vida, vocês sabem. Quando alguém lá em casa, ou algum amigo das antigas pergunta “E Pedro Paulo? Tem notícia dele?”. Ou quando eu conto alguma história nossa e o Mike diz: “Queria encontrar o Pedro na rua só para dizer:  – Cara, só pelo o que a Tâmara diz você deve ser um cara muito legal!”. Por que vocês sabem que eu falo incondicionalmente bem do Pedro. Até porque ele deve ser o único homem em toda a minha vida do qual eu não guardo qualquer rancor. Nem pelo apelido repetido, pelas mexicanas, ou pela amiga virtual mineira. Nem mesmo pela viagem aos EUA, a última gota que decretou o nosso fim. Eu remoía isso doídamente enquanto estava com ele, mas é como se as lembranças tivessem apagado tudo.

Mas talvez eu esteja pensando mais no Pedro esses dias, por causa do sonho que eu tive com o pai dele semana passada. O seu Hamilton desencarnou enquanto estávamos juntos, e eu me lembro muito bem que logo depois de saber da notícia, pela mãe do Pedro ao telefone, eu me tranquei no banheiro para chorar. Minha irmã bateu querendo saber o porquê e depois de contar suscintamente eu só consegui dizer: “Eu falei tanto mal dele”. É que ele era ranzinza e criava caso com o Pedro me levar de carro para casa de madrugada. Repetia todas as vezes pra gente não fica namorando no meio da rua. E daí no sonho da semana passada eu estava em um churrasco com o pai do Pedro e (essa parte eu não tive coragem de contar pro Pedro) o seu Hamilton dizia: “Pega uma cerveja pra mim, minha nora”. Aquilo de certa forma, abalou as minhas estruturas. Porque relacionado a sonho eu acredito em tudo e daí na minha cabeça, podia ser freudiano, relacionado às minhas experiências do passado. Podia ser esotérico, e mostrar uma premonição do futuro. Ou podia ser espiritual e eu ter me encontrado com o seu Hamilton em outro plano. Podia até ser lúdico, e meu cérebro ter inventado tudo isso, meio que pra play tricks on me. Vai saber. Mas daí eu contei pro Pedro, tudo que eu lembrei, menos a parte da nora. Ele ficou feliz, como eu sabia que iria ficar. Eu ainda conheço o Pedro, um pouco.

E daí hoje eu tava me perguntando meio de bobeira, aquelas coisas que a gente pensa antes de dormir: e se a gente conhece o amor da nossa vida aos 16 anos, o que acontece? Porque é normal, aos 16 anos, você achar que todo mundo é o amor da sua vida. Mas, cinco anos depois, quinhentas águas roladas debaixo da ponte, você ainda achar é o quê? Opção A: Sintomas de uma vida amorosa miserável. Opção B: Você é uma eterna adolescente não importa quantas faculdades conclua. Opção C: Se mata baby, era o amor da sua vida mesmo. E eu faço o que com essa informação?

Porque vocês já devem imaginar que eu nunca vou pedir para voltar pro Pedro (de novo). E eu poderia dizer que é porque ele tem outra namorada agora. Ou porque seria egoísmo da minha parte aparecer com essa dois anos depois. Mas a verdade é que eu sou uma mess that he don’t wanna clean up #fionaapple. Eu bebo pelo menos uma vez por semana. Eu aprendi a fumar.  Compro compulsivamente. Tomo remédio pra emegrecer de vez em quando. Tive quatro empregos de uma vez só e acredite quando eu digo que das coisas citadas, esse é que a mais prejudicou meu eu interior. E isso sou eu. The mess. O caos que eu fico esperando alguém chegar pra organizar. Mas o quanto egoísta ou entregacionista é isso? A gente não volta no tempo assim. Não dá pra voltar a ser a meiga e cristã Tâmara, que escreve as cartas de amor mais lindas e faz o namorado esperar por horas o sono chegar só para poder colocar o pijama nela como se ela fosse criança e fazer cafuné até dormir. Sabe, não dá pra voltar do nada. E não é nem que eu não queira. Sabe, não dá.

Porque o Pedro meio que parece igual. Agora ele faz mestrado. Está mais gordinho e sem espinhas. E não sei se usa mais a mesma bermuda preta todos os dias. (Aquela que eu tinha ódio porque foi a ex-namorada que  tinha dado . Daí  para felicidade geral da nação, um dia a mãe dele viu uma igual na loja e comprou e a gente fez nem sei o quê com a velha). Mas parece igual. Fala comigo com a docura igual. Sem as namorandices, claro. Mas sweet igual. Sweet como na biblioteca aquele primeiro dia. Porque eu ia na biblioteca e via o Pedro todo dia, e sentia alguma coisa emanando, eu bem disse pra ele. Daí um dia teve aquele cara que tava cheirando cola na biblioteca e falava coisas estranhas sobre o peixe e o boneco de resina que ele carregava. E eu lembro dos seguranças arrastando ele aos borbotões e do povo falando “ah, que pena” porque o bonequinho caiu no chão e espatifou no meio do caminho. E eu lembro da menina lacônica que a gente perguntava o que tinha acontecido e ela rec-repete só sabia dizer “- Isso é um absurdo!”. E daí o Pedro veio sweetamente salvar o dia e passou a informação completa. E eu tenho apego dos grandes por essa história. Porque depois a gente saiu da biblioteca e eu ganhei um abraço do Sérgio como paga pela aposta de que eu não teria coragem de ir lá perguntar o nome dele. Eu bem fui porque queria saber… Pedro Paulo. Pedro Paul. Pedro Pa. Pedro. Pedr. Pe. P.  …

P.S.: E teve aquele cara que leu minha mão e disse que eu só vou encontrar o amor do meio da vida pro final, mas que, mesmo pra isso, eu preciso me libertar do meu passado, porque eu divido todo mundo em “presta” e “não presta” segundo um modelo, que é alguém que eu amei. Daí eu fiquei surpresa porque eu achava que todo mundo era assim. Mesmo que o modelo fosse a mãe. O Édipo, saca? E eu questionei internamente: “- pô, então é só comigo?”. E total freaked out.

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