Foi a essa conclusão que eu cheguei depois de ver Anjos e Demônios (Há duas semanas. Ó Céus! Quase chegando nas locadoras e eu aqui, com preguiça de escrever).

Tem os bispos tradicionais que preferem arriscar a vida de milhões de pessoas a interromper a eleição do papa. Tem os Illuminati. Um grupo com os melhores cérebros da Europa, cujos seguidores, depois de verem tantos gênios serem perseguidos, mortos etc e tal pela igreja católica, resolvem dar o troco na mesma moeda, trocentos anos depois. E tem o mocinho, que, bem, vou falar dele depois, para dar a chance de você, que ainda não viu o filme e não quer saber o final, sair logo daqui.

Dan Brown e os produtores do filme tinham uma jogada de mestre na mão: com uma tacada só eles poderiam fazer um entretenimento dos bons, oferecendo de quebra, umas referênciaszinhas históricas, pro povo achar que tá ficando culto, e ainda dar um golpe no joelho no determinismo e nas tradições insensatas que levam todo mundo do nada por lugar algum.

Mas não: eles resolveram que isso era balela e fizeram um final mirabolante (do qual as mentes mais espertas começam a desconfiar lá pelo meio do filme) que ainda sepultou de vez a idéia de que padres bonzinhos ainda existem.

Me explico: Existe o armelengo do papa, um padre que acompanha o santíssimo até a morte e é quem comanda a igreja durante o concílio, quando todos os banbanbans estão enclausurados, decidindo quem vai ser o novo rosto da religião mais poderosa do mundo.

No filme, esse carmelengo é um padre jovem, que foi adotado pelo papa quando esse  último ainda era um mero padre. Ele já foi militar, piloto de avião, mas depois resolveu seguir os passos do pai adotivo e virar padre também. Por essas e outras, é ele quem autoriza os cientistas (os personagens principais )a terem acesso aos documentos da igreja, ele quem admite que a igreja realmente atravancou e muito o progresso científico, ele quem vai lá violar o caixão do papa para ver se ele tinha sido realmente assassinado, ele quem recomenda que o concílio não seja feito diante de um ameaça tão grande, mostrando-se a única pessoa sensata em todo Vaticano, até porque, meu Deus, se o mundo explodir de que adianta um papa eleito?

Quase no fim do filme, ele consegue salvar o mundo da ameaça, e mesmo não sendo apto, os banbanbans decidem elegê-lo papa. Ou você achava que as leis do Vaticano são as únicas do mundo sem exceção? Aí vem o Dan Brown para acabar com a nossa doce ilusão de que a igreja católica um dia vai entrar nos rumos do progresso, mesmo que só depois de uma possibilidade de cataclisma e de que os soldados (termo bem usado no filme) podem por merecimento subverter a ordem determinista e alcançar o poder. Porque um final surpreendente deve valer mais do que isso na cabeça dele.

E bom, no fim das contas, esse padre hiper legal é quem tramou a história toda, justamente pra tomar o poder e impedir que algum “progressista” (santa ironia) modernize demais a igreja, dando crédito pra ciência, pra história e outras dessas bobagens que os seres humanos inventam. Tem como manter a esperança na salvação do Dan Brown depois de um final desses?

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