“- Toma aqui meu telefone. Quando esse bebê nascer, você me liga que eu vou pegar ele pra mim.”

Eu queria ter dito isso. Ou ao menos ter perguntado se ela sabia o mal que fazia para o bebê fumando e bebendo daquele jeito. A gestação ja devia estar no sétimo mês. Aquele ser, que não me atrevo a chamar de homem, a embebedava cada vez mais. Provavelmente não era e nem queria saber quem era o pai da criança que crescia naquele ventre nojento. Tenho asco de quem faz pouco caso com a maternidade. Acho que por isso não sou a favor do aborto. Eu nunca engravidei. Minhas irmãs nunca engravidaram. Várias amigas curtem o sexo à vontade e nunca engravidaram. Milagre divino? Não, responsabiidade com a própria vida e com a vida de um outro ser.

Já me imaginei recebendo a ligação dela depois de uns dois meses. Indo até o hospital buscar Arthur. Por que eu tenho certeza que é um menino. Moreno, com fartos fios de cabelos e pequenino. Que se chamaria Arthur. Mas eu não disse nada. Amei Arthur calada por 50 minutos e deixei que ela o levasse no ventre para um motel qualquer.

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