Ele não captou a sutileza da coisa toda. Não entendeu que liguei apenas para insultá-lo, assim, deliberadamente. Para desfiar seus defeitos. Os seus, simplesmente porque ele estava ali e eu podia falar. Ele sequer entendeu que defeitos nem sempre são problemas. Que nesses casos específicos, eram elogios. Eu estava ali, aberta, dizendo o que achava de mais digno nele, por que não é surpresa para ninguém que acho digno ser um tiquinho de nada amoral.

E foi quando eu disse:

– Tudo bem?

Porque é preciso começar de alguma forma. E como se eu tivesse direito, fui, como sempre, agressiva:

– Porque você ainda não respondeu a minha mensagem?

Ele riu nervosamente. E foi o tempo de S Pontinho dizer:

– Não disse que você assusta os homens?

Mas na linha, a um estado e várias milhas de mim, O Pontinho continuou rindo, nervosamente, descabidamente, pelos quarenta minutos que se seguiram. Quarenta minutos de leviandades e metáforas.

– Você fez o quê esse fim de semana?

Ele correu (ah, as metáforas…). Eu, assisti ao desfile (ao inferno com essas metáforas tão exatas!).

Eu pedi a verdade mais absoluta, e concordamos que isso não existe. Então eu pedi a versão que ele quisesse me dar. Não tinha a menor importância afinal. Era tudo questão de metáforas.

Eu só acho que ele não entende de metáforas. Mesmo porque, não há fórmulas para elas. E eu, não sou boa em explicações. Me enrolo e crio outras metáforas. Que não ajudam em nada, no fim das contas. Vai a letra da música toda,  negritada, a título de tentativa…

Menino do Rio
Calor que provoca arrepio
Dragão tatuado no braço
Calção corpo aberto no espaço
Coração, de eterno flerte
Adoro ver-te…

Menino vadio
Tensão flutuante do Rio

Eu canto pra Deus
Proteger-te…

O Hawaí, seja aqui
Tudo o que sonhares

Todos os lugares
As ondas dos mares
Pois quando eu te vejo
Eu desejo o teu desejo…

Menino do Rio
Calor que provoca arrepio
Toma esta canção
Como um beijo…

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