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Não te aterroriza a idéia de que a sua geração está passando? A mim, muitíssimo. Minha irmã mais velha faz 29 anos em 2009, e eu cheguei irreversivelmente à casa dos 20. O que quer dizer que, caso seja por velhice, minha mãe deve passar para o plano de cima daqui a uns 40, 50 anos talvez. E isso não me parece tanto assim. Quero minha mãe para sempre, e esqueço que eu própria irei morrer algum dia. As pessoas que estão comigo desde a infância, assim como eu, já passaram a infância, a adolescência e estamos passando também a faculdade.

O que me aterroriza ainda mais nessa história é um sentimento de rancor profundo de saber que quando eu morrer, as pessoas podem até chorar, mas vão continuar vivendo sem mim. Quanta ingratidão com tudo que eu já fiz por elas! Porque a história não é feita por quem ganha, mas sim por quem fica. Quem parte, perde sua chance de falar alguma coisa, pelo menos nessa vida e descartando a psicografia. A quem parte resta ser recordado, referenciado, reescrito, relido…

Por isso este desejo tão profundo de fazer história, enquanto eu ainda estou “ficando”. Eu quero ter um TCC que faça história durante os minutos de apresentação. Quero um amor que seja uma história da qual os meus netos se vangloriem no futuro. Quero a referência FREIRE, Tâmara nos trabalhos dos próximos acadêmicos. Seria fácil ser dona de casa, vendedora de loja, funcionária de repartição pública. Sendo comedidamente feliz, ignorando o que eu poderia ter sido. Mas eu não quero! Quero fazer história. E se for possível, parar de repetir as mesmas histórias. Essa é a minha resolução de ano novo. Está ouvindo né, Iemanjá?

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