Às vezes eu sinto como se o meu cérebro fosse parar a qualquer momento. Os lapsos de memória têm sido tantos, que parece mesmo que alguma coisa aqui dentro está parando de funcionar gradativamente. Essa semana fui cumprimentada por alguém e dez segundos depois tinha me esquecido por quem, e ainda, se o tinha sido mesmo. Semana passada eu perdi cinco pregadeiras de cabelo, todas dentro da minha própria casa. Eu amarrava o cabelo com elas para tomar banho antes de dormir, e na manhã seguinte não conseguia encontrá-las. Sem contar os cartões de vele transporte, as chaves, sombrinhas e blusas de frio que foram sendo esquecidas pelo mundo, e almas caridosas felizmente encontraram e me devolveram.

Não posso dizer que sempre fui conhecida pelo apreço e método. Pelo contrário: sempre fui a esquecida, a distraída. Mas vale a velha máxima psicológica:  sua mania é um problema, quando começa a atrapalhar a sua vida. Só que apesar de adorar um consultoriozinho, tenho medo de ir ao médico. Sabe aquela coisa de quem procura acha?

Tem quem diga que isso é stress (Oh, do your swear, dude? What isn’t?). De fato, minha vida anda, digamos, um pouco frenética. Passam pessoas, passam livros, passam acontecimentos, e eu aqui, puxada pelo braço, indo de um lado a outro.

Sei lá. Do que eu estava falando mesmo?

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