Lendo Nossa Senhora das Flores eu me dei conta de que nunca serei Jean Paul Sartre. Nunca serei ao menos Consuelo Lins. Ou sequer Tâmara Freire, esse ser outro ser cheio de alteridade, que um dia pensará muitas coisas e escreverá livros e será mãe de três e terá um cachorro. Porque Tâmara Freire e Tâmara Freire Cardoso não são a mesma pessoa. Assim como não o são Xuxa e Maria da Graça Meneguel. Quem sou eu escrevendo, e quem sou eu escrita afinal? Chegarei a ser alguém inteiro algum dia?

E tive medo de me perguntar porque diabos eu nunca dei a esse blog um nome digno e ele ficou assim, com essa contração pseudonômica ou talvez alter-egoística da alcunha que me deram ao nascimento. E pareceu-me muito óbvio que eu quero que tudo isso seja identificavelmente meu, a ponto de se tornar eu e eu me transformar de fato em Tâmara Freire. Porque Tâmara Freire é definível e forte. Porque Tâmara Freire é o que eu sempre quis ser na vida, além de Clarice Lispector, que já foi ocupada.

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