Perguntaram para Norah o que ela queria da vida. Ela respondeu de pronto como se isso fosse a mais concreta da perguntas:  – Eu quero ele! Quero que ele venha e assuma o que desde sempre foi dele. Quero ele desde sempre. Quero ele sempre mais do que outros. Quero ele quando outros beijam a minha boca. Amo ele mais, mesmo quando amo a outros. Ele: o meu verdadeiro Édipo.

E perguntaram para Norah por quê. Norah não disse simplesmente porque não há razão. A paixão de Norah é vazão pura. Sentimento represado que escorre fino para os lados. Ele é o rio. Os outros, pequenos afluentes. Rio que aumenta com as chuvas, diminue com as secas, mas que não some, nunca. Rio Amazonas, com cavalos em disparada correndo dos lados. Só porque ninguém se atreve a domar os cavalos de Norah. Só porque ninguém é capaz de abrir os diques, para que a água escorra e o afluente se torne um novo rio. Não há vivo ser humano que faça definhar o rio amoroso de Norah. Pobre Norah.

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