O ser humano é um ser adaptável. O triste dessa história é que a gente nem sempre desabitua com a mesma rapidez com que habitua. Como o cheiro da parte externa do seu braço, ao qual eu já estava acostumada. Ou aquele do desodorante que a minha mãe usou por anos a fio, há alguns anos atrás. Ou o que o meu pai exalava quando estava saindo para o trabalho. Ou o capeletti da minha vó. A galinha ao molho pardo da outra vó. Cheiros que não vou mais sentir.

E deu uma vontade louca de ir embora pra casa, porque eu tive medo de morrer a qualquer momento sem ter guardado na memória o cheiro do último abraço que eu dei na minha mãe. E fiquei com medo depois de que você morresse, porque isso significaria o rompimento dos hábitos da forma mais cruel. E a Bethânia está cantando Não Identificado agora e eu não vou me dar ao trabalho de dizer qual a relação que existe entre a música e o resto. Subjetividade demais.

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