Na sala, o troféu de algum torneio de futebol divide espaço com as paramentos religiosos. Joseph Ratzinger me olha com desconfiança, ao lado de Jesus Cristo na cruz e de algum padre risonho. O ser humano em questão veste uma camisa pólo Lacoste, bermudas e chinelos. Barba farta e não usa aliança. (Sempre achei que padre usasse aliança, não tem essa história de ser casado com Deus? Ou eu tô loka do Edy?  – Deus e edy numa mesma sentença é o tipo de coisa que não orna). Confessou-me que não gosta de funk e que  a congregação da qual faz parte passou a oferecer aulas de break pra garotada porque a aula de música exige um tipo de disciplina e dedicação que muitos meninos não estão prontos para dar. Lê jornal impresso e assiste telejornais todos os dias, além de possuir irrestrito acesso à internet. Ainda possui relações amistosas com outra instituição das redondezas, mantida por uma igreja protestante e cede o espaço e as festas da igreja para que os artistas locais ensaiem e se apresentem. Perguntado sobre a relação que  os jovens que participam das atividades mantêm com a igreja católica, comenta, entre risos: “o que menos tem aqui é menino que vai na igreja”. E eu me peguei pensando, enquanto o ouvia falar: “É. Não se fazem mais padres como antigamente.” Graças a Deus.

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