Estou desapontada por dedução. E acho que essa é das piores sensações para mim: permitir-me mudar do estado da indiferença para a confiança, sentir que isso foi quebrado e sequer ter a certeza. E aqui estou em crise. De camisola e com fome, sentada na frente do computador sem propósito algum, deixando que o automatismo psíquico tome conta do post, ouvindo Caetano remexer ainda mais minhas entranhas.

Psíquicamente estou nua. De pé sobre essa linha sutil que divide a segurança de continuar correndo para permanecer no mesmo lugar, e o frescor matinal de deixar-se levar pelas circunstâncias. Estou no limbo espinhoso, que me fere, me queima, me força a escolher um dos lados do inferno, que no fim das contas são o mesmo. E eu teimo: não quero sair. “Tenho medo dele, tenho medo dela, os dois juntos onde eu não podia entrar.” Estou dividida entre os olhos do cão, que me pedem carícias, me oferecem afagos e o conforto existencial de sofrer. Porque doer é catarsear, posto que rizomática-dialéticamente eu sou sempre você e os meus rivais: sou sempre só.

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