Chegar em casa cansada depois de um dia de trabalho equivale a chegar bêbada. Eu consigo alcançar a cama, mas no outro dia é impossível lembrar onde ficou o relógio, o anel. Se a roupa está junto com as outras que irão para a máquina, ou se está tudo aboletado no guarda-roupa.

É claro que existem diferenças substanciais entre beber e trabalhar: o corpo dói em partes diferentes, você ganhou alguns trocados ao invés de gastar e no caso da cachaçada você provavelmente terá muito mais histórias pra contar.

Na verdade, isso depende do dia. Ontem, por exemplo foi o dia da minha bunda. Recebi tantos elogios por ela que tô pensando em botar no seguro. Certa hora foi um grupo de mulheres, que disse, em um determinado contexto, que eu poderia continuar rebolando por aí, porque minha bunda é linda. Em outro momento, um senhor muito educado, hablando portuñol, disse que yo era mui bonita, mui hermosa, mas que os objetos que eu guardava no bolso de trás de calça, estavam poluindo um poquito o conjunto.

Ai, vida… Esse é o tipo de coisa que a gente não sabe se sente orgulho ou vergonha. Mas é história.

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