Sabem porque eu gosto da rádio Cidade? Porque ela é a única que toca Black até o final (incluindo todos os “tchururu tchutchururu” do Edie Veder), em plena 1 hora da tarde. E vocês não têm noção do quanto eu desembarco feliz na UFES depois disso. Sim eu sou uma pessoa muito fácil de se agradar.

E foi justo na hora que a música começou a tocar que o bebê que estava na minha frente começou a olhar fixamente para o meu rosto. Preferia que ele (ela, no caso: usava brinquinhos) não tivesse feito isso. O olhar fixo de uma criaturinha de dois meses faz você repensar muitas coisas na vida.

Primeiro que eu acho incrível como os bebês conseguem apreender a realidade ao seu redor. Eles ficam ali, olhando blasês para tudo, se empolgando com algumas coisas absurdas e dali a três, quatro anos, falam do mesmo jeito que você, andam como você, e já sabem o significado e a utilização das coisas em volta. De hoje em diante resolvi fazer assim também: eu vou ver filmes placidamente, ler livros despreocupadamente, e esperar alguns anos até que as coisas que o meu inconciente tenha apreendido  com isso se juntem com as outras coisas que ele apreendeu em outras situações e então façam sentido magicamente. Acho que eu posso esperar quatro anos até que uma tese maravilhosa de mestrado surja na minha mente como uma epifania.

Segundo que bebês têm uma capacidade única de fazer com que eu odeie a pós-modernidade por dois minutos. Enquanto ele olhava pra mim, me deu uma vontade insana de arrancá-lo do colo da mãe, dar um chute na cabeça do motorista e sair loucamente pelas ruas, até encontrar um lugar seguro para ter aquele bebê só para mim. Ou, usar uma técnica um pouquinho mais demorada: arranjar um namorado qualquer com um emprego fixo, casar daqui a seis meses e ter um bebê original, novinho em folha em 2010, o que significa esquecer de vez essas baboseiras de independência financeira e sexual feminina e de tentar ser uma teórica phoda da comunicação.

Ainda bem que isso passou em 2 minutos, mais exatamente quando o bebê cansou da minha cara e resolver tirar uma soneca, pra variar. O que significa que ECO, 2010, estamos aí, hein!

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