Estava na pátio do Cemuni I, esperando a quantidade enorme de comida que eu acabei de ingerir se assentar de forma cômoda dentro do meu aparelho digestivo quando me deparei com uma bromélia que nasceu no meio de uma parede de cimento, trincando toda a estrutura ao seu redor. Na hora eu pensei: queria ser essa bromélia.

A questão é que estou no meio de um dilema. Na sexta passada eu estreiei como bargirl da Blow Up e essa semana estou esperando ser chamada para começar a trabalhar como garçonete na Esfiheria. Isso, contando mais as entrevistas da Futura e a pesquisa do Labic, faz com que eu tenha quatro ocupações empregatícias. O que, curiosamente, me aproxima dos imigrantes ilegais, excluindo-se o fato de que, oi?, eu não estou na Europa.

Você pode pensar que eu sou alguém que ama trabalhar, ou que eu me envolvi com drogas e jogatinas e preciso juntar uma grana até o fim da semana senão passarei a comer capim pela raiz. Nada disso queridos 3 leitores e meio (Rá! Ganhei mais um essa semana). É que por motivos que prefiro não comentar, a única fonte de renda que tenho atualmente é a minha bolsa de iniciação cientifica, e como ela só dá para pagar o aluguel e eu ainda não aprendi a viver de luz, i’m needing some money.

O dilema é o seguinte: alguém que amo muito, cuja opinião é de extrema importância na minha vida (leia-se irmão e não amante ou amigo imaginário) não quer que eu trabalhe a noite e me prometeu até uns trocados para que eu largue essa vida de trabalhadora e volte a ser simplesmente uma universitária vagabunda. Dois pontos importantes nessa discussão: o dinheiro que ele me ofereceu não dá para tudo o que eu preciso e voltar a trabalhar, por increça que parível, está me dando uma satisfação enorme. Principalmente porque foi por depender financeiramente de outras pessoas que já estive completamente fudida de grana em alguns momentos da minha vida. E agora José? Mamãe sequer está por perto para me dar colinho.

O que a bromélia tem a ver com isso? O que eu queria mesmo era ter a coragem dessa bromélia e dizer: eu quero me enfiar aqui, pronto e acabou. Dona parede, vai dando uma licenzinha, é só chegar todo mundo  pro lado, dar uma trincadinha aqui e ali que eu caibo. Mas como fazer isso, considerando-se que a parede deste caso não é exatamente um ser inanimado? Aceito conselhos. E isso é sério.

O clipe se dá pelo fato de que eu chorei a úlitma vez que eu bebi, quando ela tocou. Porque eu to mei que cansada de correr na direção contrária, sem pódio de chegada ou beijo de namorado. Ou porque eu fico depressiva quando bebo, sei lá.

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