Norah estava sentada no chão frio do banheiro, nesse linha divisória entre o ser e o nada. Ela, sabidamente, era o nada, posto que o ser pressupõe uma definição que Norah não tinha. O que era Norah afinal, já que sequer tinha certeza da pura existência?

Às vezes, Norah achava que estavam todos os seres humanos em uma sala acolchoada, e a realidade não passava de uma ficção tecnológica. Às vezes achava que era totalmente esquizo, e ninguém ao seu redor existia de fato. Outras ainda que era um fantasma, desconhecida de seu próprio falecimento. Norah, talvez, tivesse referências demais.

Foi quando lembrou daquele homem – ou ser ficcional, ou imaginário, ou alma penada – , que há exatos dois meses lhe disse que nada em sua vida dava certo por causa de um amor mal-resovido do passado. Decerto, Norah ainda se pegava pensando, ainda mais nostálgica nos meses finais de cada ano, naquela figura que habitara sua vida há pelo menos sete anos. Decerto, Norah o procurava e o projetava em outros corpos. Mas, talvez, o problema maior não seja ele, mas sim essa mania astrológica de Norah, de ser fixa. Ela não gostava de abandonar.

Norah, esse meu instigante alter-ego.

Anúncios