A única coisa que cai de graça na minha cabeça é água de chuva e cocô de pombo. Água de chuva porque pobre nessa vida tem que ralar, vagabundo, e cocô de pombo, porque vai ser urucubenta assim nos infernos.

Viagem para Natal não podia ser diferente. A uruca começou quando a UFES barrou nossas passagens. E a ralação deu-se início fazendo vaquinha para bancar o ônibus de volta.

Chegamos sãos e salvos para descobrir que minhas companheiras de trabalho perderam o avião. Em se tratando de produção cultural da perferia de Vitória, eu estava sozinha no mundo, com uma apresentação nas mãos.

A semana transcorrendo: bebidinhas, baladinhas, banho de chuva… Chega madrugada de sexta, eu absolutamente sem voz. Sábado, o grande dia, desespero! Um café, dois, e fomos nós contando com a força dos pulmões para fazer aquele fio agudo transformar-se em palavras compreensíveis. Xou de xuxexo, no final. Como diria Gabriel, eu sou uma mulher que dou conta!

Domingo, papel cumprido, dia de voltar para casa. Arrumar as malas, conferir as passagens, os horários de ônibus. Pimba! O único horário de ônibus que faz o trajeto Natal – João Pessoa, não disponível nos domingos, era justamente o que pretendíamos pegar. Chama o taxista, vamos tentar pegar o ônibus em outra parada. Obviamente não deu certo, tivemos que ir até João Pessoa de táxi, com a sorte de que o taxista foi deveras camarada com o preço. O pneu furou no meio do caminho, começou a chover enquanto esperávamos do lado de fora do carro… enfim, uruca pouca é bobagem.

Pegamos o ônibus para Vitória, a embreagem quebrou em São Mateus e tivemos que mudar para um carro convencional que nos causou mais dores em quatro horas do que nas 31 anteriores.

Mas chegar em casa é sempre uma benção e se meu corpo não é suficientemente fechado para urucas, um banho quente afasta qualqer má lembrança.

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