Sensação sublime que a gente tem quando nossas idéias flutuantes começam a se amarrar.

Ando angustiada com o meu Trabalho de Conclusão de Curso. Como temos a idéia de transformar entrevistas dadas em razão da pesquisa sobre a produção cultural nas periferias da Grande Vitória, que desenvolvo no Laboratório de Informação e Cultura – Labic, em um documentário, resolvi unir o útil ao agradável e estudar audio-visual, que é minha menina-dos-olhos, aliado às teorias e experiências da pesquisa. Dái surgiu a ideía de fazer uma análise sobre a representação documental da periferia brasileira.

Mas e os argumentos para isso? Pensei em chegar com a idéia da Ivana Bentes, que fala de uma bipolarização esquizofrênica na representaçaõ midiática da periferia. De um lado temos a representação da “realidade” vista nos jornais, que traz a periferia como um local de risco social, insegurança. De outro, a representação ficcional, que mostra o povo da periferia como o “bom pobre”, aquele que batalha e apesar de desprovido de toda a sorte de equipamentos, consegue prosseguir honesto na vida, dando seguimento ao valores familiares que recebeu.

O documentário, por essência, seria uma via intermediária nisso. Me explico. Não há representação fiel de nada. O fato de filmar determinado ângulo é um recorte, escolher determinada cena outro recorte, preferir um personagem a outro, mais um. Porém a maioria dos documentários se propõem a isso: ilustrar determinada realidade deixando de lado a construção ficcional.

E ontem, lendo Barbero discorrer sobre a interpretação de Romântico e Ilustrados sobre o povo, reconheci a essência desse pensamento que a Ivana fala. A classe burguesa necessita do povo pois ele legitima a democracia, é a vontade geral. Mas isso não pode ultrapassar os limites que garantam a desigualdade social, posto que ela é a garantia do status quo que mantém a burguesia enquanto burguesia. Inclusão abstrata, exclusão real, inclusive espacial. Por outro lado, temos a visão do povo como a alma revolucionária que traz paixão à política, dos personagens do povo reconhecido como heróis quando enfrentam o mal.

Preciso concluir o livro. Iniciar os outros que ainda preciso ler para ter noção clara das coisas. Mas estou pra lá de feliz.

– Martin, foi ótimo dormir com você.

– Ai Tâmara, para mim também foi um prazer.

– Ainda estou na vibe carência
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