rodrigo.jpgPara começo de conversa, nenhuma. Rodrigo de Oliveira é algo etéreo na minha vida, uma fumaça com a qual eu não possuo qualquer familiaridade. De onde vem esse post então, Britney?

É que por motivos mais do que heterogêneos, ando falando muito em Rodrigo de Oliveira ultimamente. Com pessoas igualmente heterogêneas, com intenções mais heterogêneas ainda com o tal Rodrigo.

E hoje por uma dessas traquinagens do acaso, algo que eu ainda não firmei posição se existe ou não, com quem eu me deparo em um passeio leve e desinteressado pela internê? O próprio! Não a figura desfocada de um homem em uma webcam. Não o vazio carnal de um scrap no orkut ou conversa no msn, mas uma crítica que fez de Rodrigo de Oliveira meu mais novo ídolo.

Que capacidade para tranformar em palavras o sentimento repulsivo que tomou conta de mim em uma das noites do último Vitória Cinevídeo! Haja visto meu capenga vernáculo, nunca me atrevi a críticas realmente destrutivas, e então fico a me perguntar: o que será do amor-próprio de Sáskia Sá, depois das palavras que se seguem, de Digo, meu mais novo amigo de infância?

 

 

Crítica do curta-metragem A Fuga, da “cineasta” Sáskia Sá.

Rodrigo de Oliveira

 

Não deixa de ser bastante apropriado que o novo filme de Saskia Sá se chame A Fuga. Assumir idéias, apresentar-se ao trabalho, cumprir propostas apresentadas, seguir adiante dentro daquilo que se anuncia, tudo isso é sustado pela diretora num movimento de escapada constante. Em primeiríssima instância, foge-se do protagonista do filme, um velho músico que vê sua vida atual mergulhada numa apatia incongruente com sua vocação artística e sua memória da juventude. Ou ao menos essa parece ser a idéia inicial, uma vez que o filme nega constantemente a condição de Sebastião Modesto como objeto de interesse, aproveitando qualquer motivo alheio ao personagem para rapidamente abandoná-lo em nome de algo mais espetacular. No cômputo geral, é mesmo do cinema que Saskia Sá parece querer fugir – e não falamos nem mesmo do “bom” cinema. São os aspectos mínimos, aquilo que está na raiz do fazer cinematográfico que tão clamorosamente escapam de A Fuga: constantes desastres de atuação, critérios entre o mínimo e o nenhum para decidir onde colocar a câmera, a partir de que pontos de vista acompanhar esta história, uma fotografia que torna toda a ação uma espécie de tabula rasa da história da imagem, sem qualquer cuidado para além do “é preciso deixar tudo claro para que possamos ver o que acontece”, algo certamente muito mais digno de um supermercado do que um curta-metragem exibido numa tela grande.

 

Leia o resto aqui.


Minha fonte: Desimprensa capixaba

Fonte primária: Século Diário

Anúncios