Ontem sepultamos mais uma pessoa da família. Minha tia avó Judith que por ter sido toda a vida solteira, ajudou a criar todos os filhos e netos da minha avó Virginia, incluindo a autora que vos fala. Morreu frágil, com alzeimer e osteoporose. Sofrendo, como quase todos os idosos.
Quando criança, tia Judith era uma chata. Enquanto vovó Virginia tudo deixava, tudo nos dava, Tia Judith sempre tinha que brigar quando roubávamos suco de maracujá da despensa, ou pisoteávamos a horta, em busca de incautas folhas de alface suficientemente crescidas para alimentarem todas as crianças da rua.
Enquanto minha vó se alegrava com nossas visitas mais do que constantes, Tia Judith entregava para Deus. Não era para menos. Afinal éramos 5 só la em casa. Outros 3 da tia Miria. E alguns 5 ou 6 dos vizinhos. Uma festa, para a gente claro. Nos fins de semana então, quando chegavam Tia Ângela, Tia Mircinha (com filhos e netos) , Tio Norton e Tio Néviton para completar, era um arraso. Nesse caso para ambas as partes.
Depois que eu “cresci” Tia Judith virou uma graça. Uma velhinha simpática, que ria de tudo e contava histórias mais antigas do que a própria história. Às vezes falava demais, é fato, mas foram épocas engraçadas, aquelas em que ela morou com a gente. Duas vezes: uma por mais de um ano e a última por poucos meses.
Ontem, muitas lembranças me acertaram em cheio. Não compartilharei-as agora, por falta de espaço e de tempo decorrido. Desta vida, Tia Judith se foi. É uma pena vocês não a terem conhecido. É uma pena, a lei ser do esquecimento. Não fosse, na próxima vida, recomendaria a ela que produzisse um blog.
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