Quando era direta, consideravam-na grossa. Caso fizesse mizuras, todos pensavam: “Ah!, quanta ironia!”
Era uma incompreendida. Misunderstood, como naquela balada chiclete.
Apesar de ser de fato sarcástica e um tantinho sincera demais, o fazia apenas quando queria e não a torto e a direito, como pensavam os outros.
E lembrou-se imediatamente daquele poema e de como tinha sido injustiçada, por um simples “elogio o seu primoroso dom com as palavras”.
Ele – o autor – alucinado como o são os poetas magoou-se dizendo que se fosse para rejeitar, que não tripudiasse.
Ela – indignada – preferiu pensar que tudo era fruto de uma auto-estima muito baixa, a cogitar que poderia parecer inverdadeira mesmo ao fazer um elogio tão belo.
E martelava-se ao travesseiro todas as noites:
“- Pareço eu uma monstra?”
E suspirava como quem não pode encaixar nem ao menos uma face do cubo mágico.
A incompreensão é mesmo um fardo pesado.
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