00:00. Ela olha de novo pro relógio. 00:15. A página em sua frente ainda está em branco.
– Ah, quem me dera isso fosse um papel. Talvez esteja todo mundo certo em me dar um chute na bunda. Eu sou tradicional, porra! Eu escrevo cartas. Namoro um de cada vez. E nunca, nunca mesmo, mais de um na mesma cama. Eu nunca nem puxei um beck. Crystal meth entao, nem pra emagrecer.
Um suspiro. Dois.
– Pra quê dizer tudo isso? Ninguém vai ouvir. Porra!
Foi o porra mais romântico que ele já tinha ouvido na vida. Foi um gemido. Quase um orgasmo. Era um pedido de socorro.
Ele entrou no quarto, decidido a tirá-la daquele auto-ostracismo. Ela estava se esquecendo em algum canto do mundo. Na verdade, sonhou que entrara e covarde como uma galinha, voltou dois passos e, rastejante, sumiu na escuridão.
E ela ficou ali desesperada. Exalando uma piedade apaixonante irrespiravel, imperceptivel.
Ela só precisava fazer um trabalho de universidade. Tinha apenas que mandar alguns e-mails. Mas sofria como um gado de corte.
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