Nem era domingo e ela me disse:
-Você já leu Jesus, o maior psicólogo que já existiu?
E assim, sem pedir licença, me tirou do mundo saramaguiano em que José e o Templo de Jerusalem eram tão palpáveis quanto a profusão de 507 e 125 que passavam por aquela Reta da Penha abarrotada. Era sexta, 4 da tarde. Mas para mim, era o dia do Senhor.
– Não. Infelizmente eu nunca li. Mas muitas pessoas já me recomendaram.
Eu dizia e pensava se aquilo era mesmo verdade. Será mesmo que algum desavisado iria me indicar um dos maiores best-sellers da auto-ajuda mundial? Na verdade, pensara. Em um rompante fui interrompida pela triste e interna constatação: “E ainda dizem que ler em público afasta as pessoas…” E ela não tinha sido a primeira.
Mas no fundo eu sou uma otimista. Por mais assaltos que eu sofra, sempre concluo que no fim, tudo vira experiência de vida. E a resposta veio a galope.
– Você quer que eu te empreste? Na verdade eu vou até te dar. Desde que com uma condição: que você repasse para outra pessoa depois que acabar de ler. Anota ai meu telefone, ou melhor, a gente pode marcar um horario na segunda-feira pra você buscar o liv… E daí por diante.
E agora vejam só: eu faço parte de uma corrente! Literata, humanizada, afável, quem sabe até religiosa. Como talvez a pós-modernidade jamais pensasse engendrar.
Uma corrente! Começada por alguma professora de sociologia, não sei quando e nem onde, cujo único objetivo é disseminar as reflexões psicológicas do Cristo, supostamente compiladas e interpretadas em um livro.
Naturalmente eu estou empolgada. E por falar nisso: Você aí! Já leu Jesus, o maior psicólogo que já existiu?
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