Se tem uma fonte que eu gosto de consultar para saber o que está rolando é a comunidade do blog Te dou um dado? no orkut. O pessoal é engraçado, bem informado. Sempre encontro sugestões de conteúdos ótimos, coisa e tal.
E ontem um dos tópicos me chamou especial atenção: Rihanna e Cris Brown estariam juntos novamente. Aquela notícia tradicional de tablóide. Com fatos revelados por uma “fonte” que ninguém conhece, ninguém vê. A matéria em questão foi publicada pelo site Ego.
É óbvio que nossa primeira reação é de indignação. Como assim a Rihanna vai voltar para ele, depois daquela agressão física mega veiculada, que terminou em condenação e tudo? Depois de ele ter deixado ela assim:

E aí eu quero acreditar que a indignação é tanta que impede o povo de pensar. Porque eu juro pra vocês, que a maior parte dos comentários seguia pela seguinte linha de pensamento: “Se ela perdoá-lo, é porque merece apanhar e se isso acontecer eu vou rir”. Juro. Porque sendo branda, o que vem à cabeça é que esse tipo de pensamento não faz qualquer sentido. Ela foi covardemente agredida e daí a solução pra isso é ela apanhar mais? O Chris Brown tava errado da primeira vez, mas agora, por ela perdoá-lo, ele tem o álibi pra bater de novo? E é engraçado saber que uma mulher, seja ela quem for, apanhou do companheiro? Faz sentido isso, pra você?
Pra minha sorte, na internet, tem sempre alguém que acende a luz da sala. Porque achar errado ela voltar pra ele todo mundo acha não? Eu não sou do time do “pau que nasce torto, morre torto”. Acredito sim que todo mundo pode se modificar, se melhorar. Mas defendo até a morte que mulher agredida tem que abandonar o agressor e denunciar a agressão. Só que eu fico besta de ver que ainda tem gente que acha que é tudo muito fácil. Se algumas meninas estupradas por estranhos, têm medo e até vergonha de contar pra alguém vocês acham que é fácil pra uma mulher, mesmo agredida, se afastar de alguém que ela ama? Porque se alguém ainda não sabe, agressões são traumas. E traumas confundem nossos sentimentos, atrapalham nossa racionalidade.
Sem contar os fatores culturais que eu acho que não preciso nem dizer né? Ou melhor, eu também achava que não precisava dizer na comunidade do TDUD?, até o momento em que um cara disse que se ELA fosse uma “mulher direita” se afastaria dele. E daí uma menina disse que ELA vai ser responsável caso seja agredida de novo. Engraçado como é sempre o ELA que está no banco dos réus. Porque mulher só apanha por que deixa ne? Nenhuma mulher apanha porque existe uma cultura machista que faz os homens pensarem que podem bater em suas companheiras por algum motivo ou outro. Porque as mulheres só perdoam por que são burras. nenhuma mulher perdoa por que foi criada pra isso. Sinto muito dizer mas tem uma construção social por trás desses comportamentos aperentemente mobrais das mulheres. E sinto dizer mais ainda, que nem a Rihanna, com seus topetes e suas umbrellas escapa disso.

Outro ponto que me incomodou foram algumas tentativas frustadas de comédia física. Não que comédia física não seja engraçada nunca. Jim Carey taí, meio pra lá, meio pra cá, mas comprovando que pode-se tirar bom proveito do corpo. Mas não encaixou em Os Normais. Tipo o rosto da Vani se esborrachando no vidro do carro depois de uma curva. Ou a Danielle Suzuki (uma lutadora profissional que, curiosamente, treina de calcinha e sutien) enchendo a Vani de porrada. Sabe, não ornou.


Daí que semana passada teve o BlogcampES aqui na UFES. Eu me inscrevi em tudo, mas acabei só aparecendo no lançamento do documentário Mundinhos, e na mesa sobre blogosfera LGBT e Feminina, com o Dé do
sociais das quais não me excluo, sinto prazer quase orgásmico em me maquiar para sair. É o meu ritual particular. Que ninguém opina, ninguém interfere. Eu e minhas cores, sozinhas no limbo. Lindo. E confesso que no susto eu não entendo como existem pessoas que não curtem esse prazer. Mas eu posso transpor isso para o meu prazer de beber. O meu prazer de ver Friends. O meu prazer de comer chocolate. Narciso acha feio o que não é espelho. A questão para mim não é uma mulher que não se maqueia, e sim uma pessoa que não gosta de algo que para mim é tão prezeiroso. Estranho, estranho.Mas tem gente que não se pergunta isso. Porque a gente acha tão natural assim mulheres maquiadas? Porque a gente se sente tão obrigada em seguir esse padrão. E todos os outros: ser magra, bem vestida, elegante, comportada.
Mas eu ainda não era feminázi nesse ponto. Eu virei feminázi quando dei o exemplo do Lingerie Day. Porque quando eu falei “Lingerie Day” o menino lá do fundo que eu carinhosamente apelidei de “machista reacionário” já adiantou que iria defender o tal movimento com unhas e dentes. E eu tentei explicar meio mambembe porque não concordava com a iniciativa. E já teve gente que explicou melhor esse ponto de vista,
aquela de que estereótipos existem de todos os tipos, e daí as pessoas magras podem ser chamadas de magrelas, as loiras de burras, mas não se pode falar nada com a palavra “negro” no meio que o povo mete a pau. E a feminázi aqui teve que lembrar, porque, oh, parece que ninguem lembra, mas negros já foram escravos no Brasil vocês sabiam? Negros apanham nas ruas até hoje só por serem negros (e gays e mulheres e por aí vai). E as loiras, bom as loiras acho que não né. Porque parece que o povo tem perguiça de relativizar. E eu tava ali querendo relativizar. Porque se não o povo acha que só porque mariquês tá fazendo sucesso em tudo que é blog, que todo mundo vai querer e achar lindo um gay na família. Só porque a Dilma pode vir por aí, o negócio tá dominado. E não tá… O dia que eu puder ir a uma festa e nenhum homem se achar no direito de meter a mão na minha bunda porque gostou do material, vocês me avisem, que aí eu posso começar a acreditar que não se precisa mais de movimento. Ou como diria meu amigo machista reacionário, que feminismo é tão idiota quanto machismo (deu vontade de gritar 


