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Rihanna e a mulher no banco dos réus

Postado em Uncategorized em Setembro 11, 2009 por tamarafreire

Se tem uma fonte que eu gosto de consultar para saber o que está rolando é a comunidade do blog Te dou um dado? no orkut. O pessoal é engraçado, bem informado. Sempre encontro sugestões de conteúdos ótimos, coisa e tal.

E ontem um dos tópicos me chamou especial atenção: Rihanna e Cris Brown estariam juntos novamente. Aquela notícia tradicional de tablóide. Com fatos revelados por uma “fonte” que ninguém conhece, ninguém vê. A matéria em questão foi publicada pelo site Ego.

É óbvio que nossa primeira reação é de indignação. Como assim a Rihanna vai voltar para ele, depois daquela agressão física mega veiculada, que terminou em condenação e tudo? Depois de ele ter deixado ela assim:

rihanna-machucada

E aí eu quero acreditar que a indignação é tanta que impede o povo de pensar. Porque eu juro pra vocês, que a maior parte dos comentários seguia pela seguinte linha de pensamento: “Se ela perdoá-lo, é porque merece apanhar e se isso acontecer eu vou rir”. Juro. Porque sendo branda, o que vem à cabeça é que esse tipo de pensamento não faz qualquer sentido. Ela foi covardemente agredida e daí a solução pra isso é ela apanhar mais? O Chris Brown tava errado da primeira vez, mas agora, por ela perdoá-lo, ele tem o álibi pra bater de novo? E é engraçado saber que uma mulher, seja ela quem for, apanhou do companheiro? Faz sentido isso, pra você?

Pra minha sorte, na internet, tem sempre alguém que acende a luz da sala. Porque achar errado ela voltar pra ele todo mundo acha não? Eu não sou do time do “pau que nasce torto, morre torto”. Acredito sim que todo mundo pode se modificar, se melhorar. Mas defendo até a morte que mulher agredida tem que abandonar o agressor e denunciar a agressão. Só que eu fico besta de ver que ainda tem gente que acha que é tudo muito fácil. Se algumas meninas estupradas por estranhos, têm medo e até vergonha de contar pra alguém vocês acham que é fácil pra uma mulher, mesmo agredida, se afastar de alguém que ela ama? Porque se alguém ainda não sabe, agressões são traumas. E traumas confundem nossos sentimentos, atrapalham nossa racionalidade.

Sem contar os fatores culturais que eu acho que não preciso nem dizer né? Ou melhor, eu também achava que não precisava dizer na comunidade do TDUD?,  até o momento em que um cara disse que se ELA fosse uma “mulher direita” se afastaria dele. E daí uma menina disse que ELA vai ser responsável caso seja agredida de novo. Engraçado como é sempre o ELA que está no banco dos réus. Porque mulher só apanha por que deixa ne? Nenhuma mulher apanha porque existe uma cultura machista que faz os homens pensarem que podem bater em suas companheiras por algum motivo ou outro. Porque as mulheres só perdoam por que são burras. nenhuma mulher perdoa por que foi criada pra isso. Sinto muito dizer mas tem uma construção social por trás desses comportamentos aperentemente mobrais das mulheres. E sinto dizer mais ainda, que nem a Rihanna, com seus topetes e suas umbrellas escapa disso.

Não é normal

Postado em Uncategorized em Setembro 10, 2009 por tamarafreire

Me dói o coração escrever esse post. Por isso eu esperei até o assunto esfriar. É que, não me atirem pedras ou me chamem de hipócrita, mas eu vou ter que criticar Os Normais 2. E Deus, e meu histórico do Youtube sabem, o quanto eu amo Vani e Rui.os-normais-2

O primeiro ponto de conflito veio antes mesmo do filme começar. Nada contra qualquer fantasia sexual, mas não te parece meio óbvio que a forma escolhida para apimentar a relação dos dois tenha sido justamente o menáge a trois feminino, a fantasia top do top de 10 em 10 homens héteros? E nem digo que isso é uma implicância feminista, porque em princípio é filmográfica mesmo. Acho que os criadores perderam uma chance ótima de mostrar o casal em busca DA FANTASIA, o que eu acredito que renderia muito mais risadas, do que aquela busca despropositada por uma mulher “moderna”. Até porque se era pra terminar contratando uma garota da programa, qual o sentido da busca mesmo?

Mas também não digo que a implicância com isso não é feminista. Porque me parece muito claro que a Vani, a mulher, nunca quis e nem quer um menáge. Ela só aceita por que precisa apimentar sua relação. E nem passa pela cabeça dela, e pela do Rui muito menos, recorrer a outras coisas, tipo menáge a trois masculino, por exemplo. Isso fica claro em vários momentos do filme, especialmente quando ela diz, em um dos diálogos mais engraçados do filme (pra você ver!) que precisa de muita cachaça pra encarar uma xereca. Sem contar o momento em que, na primeira tentativa de consumar o ato, o Rui esquece completamente da Vani, para se atracar com a prima dela. Puta fantasia do casal essa, hein? E me  enche de desesperança ver que até quando é para abordar alguma coisa supostamente moderna, quem abre mão é a mulher, sem nenhum piscar de olhos.

OS NORMAIS 2/FILMEOutro ponto que me incomodou foram algumas tentativas frustadas de comédia física. Não que comédia física não seja engraçada nunca. Jim Carey taí, meio pra lá, meio pra cá, mas comprovando que pode-se tirar bom proveito do corpo. Mas não encaixou em Os Normais. Tipo o rosto da Vani se esborrachando no vidro do carro depois de uma curva. Ou a Danielle Suzuki (uma lutadora profissional que, curiosamente, treina de calcinha e sutien) enchendo a Vani de porrada. Sabe, não ornou.

Mas teve uma parte do filme que me fez ter vontade de sair do cinema. E eu nunca imaginei que isso fosse possível para mim em uma história de Vani e Rui. É que eu não sei se o problema é comigo, mas cês juram que é realmente engraçado ver alguém enfiando objetos no cu dos outros? Cês juram que piadinhas com exame de próstata ainda não deram tudo o que tinham que dar? Realmente desnecessário. Pra dizer o mínimo, ouviram Fernando Machado e Fernanda “vou posar nua por que sou intelectual” Young.

Pra vocês que rolaram de rir com essa cena deplorável Tom Zé já tinha o que dizer há muitos anos atrás

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Obs: A Katilaine que viu o filme comigo, escreve melhor do que eu. Vai lá no Cinema em Textos ver!

Vamos lá

Postado em Uncategorized em Agosto 31, 2009 por tamarafreire

coco chanel

Estou pensando em parar de fumar. Como ajuda, a partir de agora, só a Coco pode fumar nesser blog. Grata pela compreensão.

Cada negro que for, mais um negro virá… para lutar

Postado em Uncategorized em Agosto 28, 2009 por tamarafreire

“Digo-lhes, hoje, meus amigos, que apesar das dificuldades e frustrações do momento, ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.

Tenho um sonho que um dia esta nação levantar-se-á e viverá o verdadeiro significado da sua crença: “Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens são criados iguais”.

Tenho um sonho que um dia nas montanhas rubras da Geórgia os filhos de antigos escravos e os filhos de antigos proprietários de escravos poderão sentar-se à mesa da fraternidade.

Tenho um sonho que um dia o estado do Mississipi, um estado deserto, sufocado pelo calor da injustiça e da opressão, será transformado num oásis de liberdade e justiça.

Tenho um sonho que meus quatro pequenos filhos viverão um dia numa nação onde não serão julgados pela cor da sua pele, mas pela qualidade do seu carácter.

Tenho um sonho, hoje.”

Discurso completo aqui

Hoje não é dia histórico para os Direitos Civis a toa. Faz 46 anos que umas das palavras mais coerentes e emocionantes foram proferidas. Um discurso pela igualdade. Só há 46 anos.

Não sei por que…

Postado em Uncategorized em Agosto 28, 2009 por tamarafreire

… mas ao contrário do povo que resolveu comentar o vídeo (e provavelmente de quem upou) eu não vejo contradição alguma.

Mas também não vou negar que sou do time que apoia incondicionalmente a renda mínima.

Pornô feminista: isso morde?

Postado em Uncategorized em Agosto 27, 2009 por tamarafreire

Nessa minha caminhada feminista eu acabei me deparando com uma discussão que até pouco tempo fugia quase que totalmente da minha cabeça. Existe pornografia feminista? Porque dizer que a pornografia é machista e que ela é feita para homens verem é chover no molhado. E também não sou do time que acredita que todo pornografia é maléfica. Mas nunca parei para pensar ou pesquisar, se existia alguém no mundo tentando resignificar a coisa. E hoje eu descobri que tem. Tem inclusive uma solenidade que premia as melhores iniciativas no gênero, o Feminist Porn Awards (recomendo a visita ao site, explica muita coisa…) E a celebridade atualmente parece que é a Erika Lust’s, uma diretora com um rosto bem meigo, que já me ganhou só por esse post.

Eu ainda não avaliei bem a questão. Estou pensando em baixar algum filme para ver qualé. Mas inegavelmente gosto do sabor da subversão…

Aliás, para não dizer que não vi nenhum filme, no blog da Erika eu achei o link para o site I feel myself, com filmagens lindas de mulheres chegando ao orgasmo. É preciso ser associado para ver todos os vídeos na íntegra, mas dá pra ver um prévia free.

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De como me tornei uma feminázi

Postado em Uncategorized em Agosto 27, 2009 por tamarafreire

blogcampes2009Daí que semana passada teve o BlogcampES aqui na UFES. Eu me inscrevi em tudo, mas acabei só aparecendo no lançamento do documentário Mundinhos, e na mesa sobre blogosfera LGBT e Feminina, com o Dé do Babado Certo e a Juliana do Cutclub. E eu estou nessa onda de entender os limites do meu feminismo, a direção do meu feminismo, qualé do meu feminismo, afinal. E, aproveitando que tinha um blog de dicas de beleza no meio, eu resolvi começar levantando a bola da futilidade. Aquela discussão que eu acho meio gasta sabe, de que beleza é futilidade, de que é preciso romper com qualquer padrão opressor mimimi.

Porque na discussão com a Ju eu acho que firmei posição quanto a isso (aleluia, oh my Godric!). Porque eu defendo que a gente tem que saber e querer saber o porquê das coisas. Sabiam que elas não caem de paraquedas no nosso colo? Não é da natureza humana que as mulheres se pintem, e se preocupem mais com a velhice e sintam necessidade de estarem impecáveis quando fora do ambiente doméstico (às vezes dentro também…). E isso não coemçou assim do nada. É uma cobrança, porque vocês sabem que mulheres servem de enfeite e que sua única preocupação na vida deve ser estar qual e tal a ponto de arranjar um bom marido. E que é quase um sacrilégio não cumprir com isso. “Como assim você não usa maquiagem?” “Como assim você não quer casar?” “Como assim você não quer ser mãe?”.

É claro que eu não excluo da feitura pelo menos da primeira pergunta. É que, considerando-se as óbvias cobrançasist2_5013258-ceremonial-make-up sociais das quais não me excluo, sinto prazer quase orgásmico em me maquiar para sair. É o meu ritual particular. Que ninguém opina, ninguém interfere. Eu e minhas cores, sozinhas no limbo. Lindo. E confesso que no susto eu não entendo como existem pessoas que não curtem esse prazer. Mas eu posso transpor isso para o meu prazer de beber. O meu prazer de ver Friends. O meu prazer de comer chocolate. Narciso acha feio o que não é espelho. A questão para mim não é uma mulher que não se maqueia, e sim uma pessoa que não gosta de algo que para mim é tão prezeiroso. Estranho, estranho.Mas tem gente que não se pergunta isso. Porque a gente acha tão natural assim mulheres maquiadas? Porque a gente se sente tão obrigada em seguir esse padrão. E todos os outros: ser magra, bem vestida, elegante, comportada.

Mas daí tem gente mais xiita que acha que a solução é todo mundo ganhar uns quilos, parar de usar qualquer coisa escolhida pela beleza estética e daí por diante. E eu discordo veementemente. Porque tem gente que gosta disso tudo. Por opressão ou por prazer mesmo (se é que isso é possível). Tem gente que curte faere exercícios físicos. Tem gente que curte comer salada. Tem gente que acha gostoso andar de salto todo dia. E daí a gente vai reproduzir a violência e apontar o dedo e dizer que esse povo todo faz deserviço ao feminismo? Por que não sei se eu sou romântica mas acho que dá para subverter por dentro nesse caso. Acho que eu posso fazer um blog, como a Ju, para mostrar que nem só cabelos cacheados “domados” são legais. Que pintar o olho de verde com laranja é tão bonito quando o delineador preto impecável. Que a bota confortável combina com vestido. E que há outros padrões. E daí você pode dizer que eu não deixo de estar em um padrão. E daí eu pergunto: e tem como não estar em um pelo menos? Tem o padrão da beleza. Tem o padrão do sucesso. Tem o padrão do bem-estar. Tem o padrão do politicamente correto. E agora em alguns círculos, acho que está surgindo um padrão do politicamente incorreto. Tem como ser social e não estar em nenhum? Um eremita, talvez. Mas acho que tem como estar mais confrotável dentro dele. Acho que há caminhos.

1 femin feminazisMas eu ainda não era feminázi nesse ponto. Eu virei feminázi quando dei o exemplo do Lingerie Day. Porque quando eu falei “Lingerie Day” o menino lá do fundo que eu carinhosamente apelidei de “machista reacionário” já adiantou que iria defender o tal movimento com unhas e dentes. E eu tentei explicar meio mambembe porque não concordava com a iniciativa. E já teve gente que explicou melhor esse ponto de vista, aqui e aqui. E ele falou que o problema todo foi que “essas feministas” foram no blog do cara que inventou o Lingerie Day e xingaram ele de tudo quanto é coisa. E eu disse como se já não fosse óbvio, que não se toma o todo por alguns indivíduos, e que teve feminista muito educada que ouviu de novo aquela ladainha de “você é gorda, feia, mal comida e só tá criticando porque não tem uns peitões bonitos pra mostrar” só porque resolveu discordar da iniciativa cada uma em seu próprio blog. E daí uma mulher me vira e diz: “-Mas é verdade! Quem criticou o movimento é porque não se dá bem com o próprio corpo!” Qqqqqqq? Só de lembrar eu tenho ojeriza. E eu só fui capaz de perguntar se ela, uma mulher, também estava reduzindo todo o movimento feminista a um bando de mulher feia, gorda e mau-humorada que por não conseguir um homem pra trepar resolveu atazanar a vida de todo mundo.

E foi a partir daí que eu virei a feminázi da sala. Porque eu tava lá qurendo relativizar e teve gente que começou com4950503 aquela de que estereótipos existem de todos os tipos, e daí as pessoas magras podem ser chamadas de magrelas, as loiras de burras, mas não se pode falar nada com a palavra “negro” no meio que o povo mete a pau. E a feminázi aqui teve que lembrar, porque, oh, parece que ninguem lembra, mas negros já foram escravos no Brasil vocês sabiam? Negros apanham nas ruas até hoje só por serem negros (e gays e mulheres e por aí vai). E as loiras, bom as loiras acho que não né. Porque parece que o povo tem perguiça de relativizar. E eu tava ali querendo relativizar. Porque se não o povo acha que só porque mariquês tá fazendo sucesso em tudo que é blog, que todo mundo vai querer e achar lindo um gay na família.  Só porque a Dilma pode vir por aí, o negócio tá dominado. E não tá… O dia que eu puder ir a uma festa e nenhum homem se achar no direito de meter a mão na minha bunda porque gostou do material, vocês me avisem, que aí eu posso começar a acreditar que não se precisa mais de movimento. Ou como diria meu amigo machista reacionário, que feminismo é tão idiota quanto machismo (deu vontade de gritar bingo nessa hora).

Minha redenção

Postado em Uncategorized em Agosto 24, 2009 por tamarafreire

A questão é que eu só estou escrevendo esse post porque eu não consigo dormir. E eu não consigo dormir, porque de repente me veio uma avalanche de pensamentos sobre o Pedro. Porque o Pedro permeia minha vida, vocês sabem. Quando alguém lá em casa, ou algum amigo das antigas pergunta “E Pedro Paulo? Tem notícia dele?”. Ou quando eu conto alguma história nossa e o Mike diz: “Queria encontrar o Pedro na rua só para dizer:  – Cara, só pelo o que a Tâmara diz você deve ser um cara muito legal!”. Por que vocês sabem que eu falo incondicionalmente bem do Pedro. Até porque ele deve ser o único homem em toda a minha vida do qual eu não guardo qualquer rancor. Nem pelo apelido repetido, pelas mexicanas, ou pela amiga virtual mineira. Nem mesmo pela viagem aos EUA, a última gota que decretou o nosso fim. Eu remoía isso doídamente enquanto estava com ele, mas é como se as lembranças tivessem apagado tudo.

Mas talvez eu esteja pensando mais no Pedro esses dias, por causa do sonho que eu tive com o pai dele semana passada. O seu Hamilton desencarnou enquanto estávamos juntos, e eu me lembro muito bem que logo depois de saber da notícia, pela mãe do Pedro ao telefone, eu me tranquei no banheiro para chorar. Minha irmã bateu querendo saber o porquê e depois de contar suscintamente eu só consegui dizer: “Eu falei tanto mal dele”. É que ele era ranzinza e criava caso com o Pedro me levar de carro para casa de madrugada. Repetia todas as vezes pra gente não fica namorando no meio da rua. E daí no sonho da semana passada eu estava em um churrasco com o pai do Pedro e (essa parte eu não tive coragem de contar pro Pedro) o seu Hamilton dizia: “Pega uma cerveja pra mim, minha nora”. Aquilo de certa forma, abalou as minhas estruturas. Porque relacionado a sonho eu acredito em tudo e daí na minha cabeça, podia ser freudiano, relacionado às minhas experiências do passado. Podia ser esotérico, e mostrar uma premonição do futuro. Ou podia ser espiritual e eu ter me encontrado com o seu Hamilton em outro plano. Podia até ser lúdico, e meu cérebro ter inventado tudo isso, meio que pra play tricks on me. Vai saber. Mas daí eu contei pro Pedro, tudo que eu lembrei, menos a parte da nora. Ele ficou feliz, como eu sabia que iria ficar. Eu ainda conheço o Pedro, um pouco.

E daí hoje eu tava me perguntando meio de bobeira, aquelas coisas que a gente pensa antes de dormir: e se a gente conhece o amor da nossa vida aos 16 anos, o que acontece? Porque é normal, aos 16 anos, você achar que todo mundo é o amor da sua vida. Mas, cinco anos depois, quinhentas águas roladas debaixo da ponte, você ainda achar é o quê? Opção A: Sintomas de uma vida amorosa miserável. Opção B: Você é uma eterna adolescente não importa quantas faculdades conclua. Opção C: Se mata baby, era o amor da sua vida mesmo. E eu faço o que com essa informação?

Porque vocês já devem imaginar que eu nunca vou pedir para voltar pro Pedro (de novo). E eu poderia dizer que é porque ele tem outra namorada agora. Ou porque seria egoísmo da minha parte aparecer com essa dois anos depois. Mas a verdade é que eu sou uma mess that he don’t wanna clean up #fionaapple. Eu bebo pelo menos uma vez por semana. Eu aprendi a fumar.  Compro compulsivamente. Tomo remédio pra emegrecer de vez em quando. Tive quatro empregos de uma vez só e acredite quando eu digo que das coisas citadas, esse é que a mais prejudicou meu eu interior. E isso sou eu. The mess. O caos que eu fico esperando alguém chegar pra organizar. Mas o quanto egoísta ou entregacionista é isso? A gente não volta no tempo assim. Não dá pra voltar a ser a meiga e cristã Tâmara, que escreve as cartas de amor mais lindas e faz o namorado esperar por horas o sono chegar só para poder colocar o pijama nela como se ela fosse criança e fazer cafuné até dormir. Sabe, não dá pra voltar do nada. E não é nem que eu não queira. Sabe, não dá.

Porque o Pedro meio que parece igual. Agora ele faz mestrado. Está mais gordinho e sem espinhas. E não sei se usa mais a mesma bermuda preta todos os dias. (Aquela que eu tinha ódio porque foi a ex-namorada que  tinha dado . Daí  para felicidade geral da nação, um dia a mãe dele viu uma igual na loja e comprou e a gente fez nem sei o quê com a velha). Mas parece igual. Fala comigo com a docura igual. Sem as namorandices, claro. Mas sweet igual. Sweet como na biblioteca aquele primeiro dia. Porque eu ia na biblioteca e via o Pedro todo dia, e sentia alguma coisa emanando, eu bem disse pra ele. Daí um dia teve aquele cara que tava cheirando cola na biblioteca e falava coisas estranhas sobre o peixe e o boneco de resina que ele carregava. E eu lembro dos seguranças arrastando ele aos borbotões e do povo falando “ah, que pena” porque o bonequinho caiu no chão e espatifou no meio do caminho. E eu lembro da menina lacônica que a gente perguntava o que tinha acontecido e ela rec-repete só sabia dizer “- Isso é um absurdo!”. E daí o Pedro veio sweetamente salvar o dia e passou a informação completa. E eu tenho apego dos grandes por essa história. Porque depois a gente saiu da biblioteca e eu ganhei um abraço do Sérgio como paga pela aposta de que eu não teria coragem de ir lá perguntar o nome dele. Eu bem fui porque queria saber… Pedro Paulo. Pedro Paul. Pedro Pa. Pedro. Pedr. Pe. P.  …

P.S.: E teve aquele cara que leu minha mão e disse que eu só vou encontrar o amor do meio da vida pro final, mas que, mesmo pra isso, eu preciso me libertar do meu passado, porque eu divido todo mundo em “presta” e “não presta” segundo um modelo, que é alguém que eu amei. Daí eu fiquei surpresa porque eu achava que todo mundo era assim. Mesmo que o modelo fosse a mãe. O Édipo, saca? E eu questionei internamente: “- pô, então é só comigo?”. E total freaked out.

Bitch, i’m back!

Postado em Uncategorized em Agosto 13, 2009 por tamarafreire

Estou voltando a blogar. Poderia dizer que é porque tenho muita coisa a dizer. Ou Porque senti saudade dos meus leitores (Há! leitores…). Ou porque agora tenho mais tempo. Enfim, qualquer uma dessas coisas dignas. Mas a verdade é que estou voltando porque o documentário sobre blogueiros capixabas que o Sérgio Rodrigo dirigiu vai ser exibido no BlogCamp ES, e daí eu fiquei envergonhada porque sou uma das entrevistadas e bom, não posso dizer que estou sendo blogueira ultimamente… Enfim, pode ser uma razão indigna, mas pelo menos é mais honesta que o Edir Macedo…

laflordemisecreto

Tá faltando anjo no mercado

Postado em Uncategorized em Junho 16, 2009 por tamarafreire

Foi a essa conclusão que eu cheguei depois de ver Anjos e Demônios (Há duas semanas. Ó Céus! Quase chegando nas locadoras e eu aqui, com preguiça de escrever).

Tem os bispos tradicionais que preferem arriscar a vida de milhões de pessoas a interromper a eleição do papa. Tem os Illuminati. Um grupo com os melhores cérebros da Europa, cujos seguidores, depois de verem tantos gênios serem perseguidos, mortos etc e tal pela igreja católica, resolvem dar o troco na mesma moeda, trocentos anos depois. E tem o mocinho, que, bem, vou falar dele depois, para dar a chance de você, que ainda não viu o filme e não quer saber o final, sair logo daqui.

Dan Brown e os produtores do filme tinham uma jogada de mestre na mão: com uma tacada só eles poderiam fazer um entretenimento dos bons, oferecendo de quebra, umas referênciaszinhas históricas, pro povo achar que tá ficando culto, e ainda dar um golpe no joelho no determinismo e nas tradições insensatas que levam todo mundo do nada por lugar algum.

Mas não: eles resolveram que isso era balela e fizeram um final mirabolante (do qual as mentes mais espertas começam a desconfiar lá pelo meio do filme) que ainda sepultou de vez a idéia de que padres bonzinhos ainda existem.

Me explico: Existe o armelengo do papa, um padre que acompanha o santíssimo até a morte e é quem comanda a igreja durante o concílio, quando todos os banbanbans estão enclausurados, decidindo quem vai ser o novo rosto da religião mais poderosa do mundo.

No filme, esse carmelengo é um padre jovem, que foi adotado pelo papa quando esse  último ainda era um mero padre. Ele já foi militar, piloto de avião, mas depois resolveu seguir os passos do pai adotivo e virar padre também. Por essas e outras, é ele quem autoriza os cientistas (os personagens principais )a terem acesso aos documentos da igreja, ele quem admite que a igreja realmente atravancou e muito o progresso científico, ele quem vai lá violar o caixão do papa para ver se ele tinha sido realmente assassinado, ele quem recomenda que o concílio não seja feito diante de um ameaça tão grande, mostrando-se a única pessoa sensata em todo Vaticano, até porque, meu Deus, se o mundo explodir de que adianta um papa eleito?

Quase no fim do filme, ele consegue salvar o mundo da ameaça, e mesmo não sendo apto, os banbanbans decidem elegê-lo papa. Ou você achava que as leis do Vaticano são as únicas do mundo sem exceção? Aí vem o Dan Brown para acabar com a nossa doce ilusão de que a igreja católica um dia vai entrar nos rumos do progresso, mesmo que só depois de uma possibilidade de cataclisma e de que os soldados (termo bem usado no filme) podem por merecimento subverter a ordem determinista e alcançar o poder. Porque um final surpreendente deve valer mais do que isso na cabeça dele.

E bom, no fim das contas, esse padre hiper legal é quem tramou a história toda, justamente pra tomar o poder e impedir que algum “progressista” (santa ironia) modernize demais a igreja, dando crédito pra ciência, pra história e outras dessas bobagens que os seres humanos inventam. Tem como manter a esperança na salvação do Dan Brown depois de um final desses?