Da mansidão que chega

Estou feliz como eu nem sei quando. Acho que nunca. Uma coisa calma, absoluta, desgarrada de qualquer coisa fora de mim. Deve ser isso a felicidade. Já tive vários momentos incríveis, de o pé sair do chão, mas que iam embora tão intempestivamente quanto chegavam. Agora não. Dias desses eu simplesmente me dei conta de que estava plena. Miguel sorriu pra mim e eu me senti invadida de uma coisa tão nova que eu precisava comprovar. Então eu pensei no mestrado que deixei de cursar, no emprego que precisei rejeitar, no amor eros que não sei do que se trata há mais de um ano, e nada, nenhuma duplicidade, nenhum amargor. Estou feliz sem mas, nem porém. Sem imaginar o outro lado, o outro curso que a vida poderia ter tomado. Sem “e se…” Então eu vi que, finalmente, o mar revolto se acalmou. E não importa o que aconteça, porque ele se acalmou dentro de mim.

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